sábado, 21 de março de 2026

DEPUTADA FEDERAL MARIA DO ROSÁRIO (PT/RS) ESTARÁ EM SANTIAGO/RS E REGIÃO NESTE SÁBADO, 21/03*

 


A Deputada Federal petista Maria do Rosário estará visitando Santiago e Região neste sábado e participando de uma importante reunião (às 18,30h, vide banner acima) em nosso município. Além de prestar contas de seu Mandato, dentre outros assuntos, a Deputada discutirá  a atual Conjuntura Nacional e Estadual e, por óbvio,  as próximas eleições gerais (Estado e País), em especial "a prioridade das prioridades" que é a reeleição do Presidente Lula. 

Após a reunião, à partir das 20 horas, a Deputada Maria do Rosário participará de um jantar de confraternização (com apoiadores/as, lideranças  e convidados/as) na Churrascaria e Pizzaria Prodócimo (Rua Venâncio Aires, 1247 - Centro). (J.G.)

*Via Blog do Júlio Garcia

quarta-feira, 18 de março de 2026

Em resolução, PT deixa claro que há dois projetos distintos de Nação em disputa

Comissão Executiva Nacional destaca que projeto de Lula enfrenta privilégios históricos; o outro lado quer preservar os interesses das elites


RESOLUÇÃO POLÍTICA DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT 

16 de março de 2026 

1. O Brasil se aproxima de um momento decisivo de sua história. As pesquisas de opinião indicam um cenário de polarização política no país, resultado direto da disputa entre dois projetos profundamente distintos de nação. Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los. 

2. Não temos dúvidas de que, quando esses projetos forem mais profundamente comparados com o debate público que uma campanha eleitoral permite, a maioria do povo brasileiro saberá qual lado representa seus interesses. 

3. De um lado está o Brasil que respeita a ciência, que investe nas universidades públicas, fortalece o SUS, valoriza a cultura e entende que conhecimento, saúde e educação são pilares de um projeto de desenvolvimento soberano. É também o Brasil que reconhece as desigualdades produzidas pelo racismo estrutural e defende políticas afirmativas, como as cotas raciais, fundamentais para ampliar oportunidades, democratizar o acesso à educação e formar novas lideranças negras. Do outro lado está o Brasil do negacionismo, do racismo, que sabotou a compra de vacinas durante a pandemia, espalhou mentiras contra a ciência, extinguiu o Ministério da Cultura e atacou as universidades públicas, tratando o conhecimento como inimigo e criminalizando a arte e o pensamento crítico. 

4. De um lado está o projeto que entende que a economia deve servir ao desenvolvimento do país, à geração de empregos, à distribuição de renda e à redução das desigualdades. Um projeto que valoriza os trabalhadores, as empresas brasileiras, promove investimento e desenvolvimento, fortalece o mercado interno e busca a justiça tributária, diminuindo impostos para quem vive de salário e cobrando mais dos super ricos. Do outro lado está o projeto neoliberal que governou para o mercado financeiro e trata a economia como instrumento para proteger privilégios e os interesses de banqueiros e rentistas. 

5. O escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo. O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades. Diante de tantas evidências, cabe perguntar: por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos? Criado e expandido nesse ambiente político, o banco manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo. Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira, utilizaram diversas vezes o jatinho de Vorcaro. Soma-se a isso o fato de que o servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da autarquia e também nomeado durante o governo Bolsonaro, atuava na prática como um empregado-consultor do próprio dono do banco. Governadores bolsonaristas chegaram a adquirir títulos podres com dinheiro público e foi o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, bolsonarista, que tentou uma manobra para salvar o Banco Master com recursos públicos. Esses elementos revelam que não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional. 

6. Ao contrário, no governo do presidente Lula, as instituições de controle e investigação têm plena autonomia para atuar no combate à corrupção. Não por acaso, foi durante o Governo Lula que o Banco Master passou a ser investigado e sofreu intervenção, demonstrando que o compromisso do atual governo é com a transparência, a legalidade e a defesa do interesse público. 

7. O contraste também é evidente quando observamos os resultados econômicos recentes. O governo do Presidente Lula recolocou o Brasil no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal. O país voltou a crescer acima de 3%, o desemprego atingiu a menor taxa da série histórica, a renda do trabalhador voltou a subir, temos a menor inflação de um mandato presidencial desde a redemocratização, a desigualdade voltou a cair e o salário mínimo voltou a ter aumento real. O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome e retomou políticas públicas que haviam sido desmontadas. Mostrando o acerto da política econômica coordenada pelo Ministro Fernando Haddad. 

8. No governo Bolsonaro, ao contrário, o país assistiu ao retorno da fome, à precarização do trabalho e a cenas dramáticas como as filas para compra de osso. O preço dos combustíveis disparou, chegando a nove reais o litro da gasolina em diversas regiões do país, enquanto o governo se mostrava incapaz de proteger o povo brasileiro dos efeitos da crise internacional. 

9. O governo do presidente Lula tem adotado medidas concretas e emergenciais para proteger a economia e o bolso do povo brasileiro diante das oscilações do mercado internacional de petróleo no contexto de guerras. Entre elas, estão a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, a criação de um subsídio temporário para produtores e importadores e a adoção de um imposto de exportação sobre o petróleo para compensar perdas de arrecadação e evitar impactos fiscais, agindo de forma totalmente diferente do que fez Jair Bolsonaro. O objetivo é impedir que a alta internacional do petróleo se traduza automaticamente em aumento do preço da gasolina e do diesel no Brasil. São medidas que demonstram que é possível governar pensando no bolso do trabalhador, defendendo o poder de compra da população e garantindo que os custos das crises internacionais não recaiam sobre quem vive do próprio trabalho. A atual forma de gestão da Petrobras, comprometida com o interesse público e com a soberania energética nacional, permite que o Brasil utilize seus recursos estratégicos para proteger a população e garantir desenvolvimento e estabilidade econômica. 

10. Ao mesmo tempo, defendemos o enfrentamento do endividamento das famílias brasileiras, profundamente ligado às altas taxas de juros e à crescente financeirização da vida cotidiana. Milhões de trabalhadores e trabalhadoras têm sua renda comprometida pelo rotativo do cartão de crédito, por empréstimos e por serviços financeiros. Para mudar essa realidade, é fundamental estabelecer limites ao poder do rentismo, fortalecer a renda do trabalho e dinamizar o mercado interno, além de assegurar a redução da taxa Selic pelo Banco Central, criando condições para um desenvolvimento mais justo e sustentável. 

11. De um lado está o projeto que defende a democracia real, aquela que se expressa na vida concreta do povo. A democracia que reduz o preço dos alimentos, que tirou o Brasil novamente do Mapa da Fome, que amplia o acesso à saúde por meio do Mais Especialistas, que cria oportunidades para a juventude com o Pé-de-Meia e que promove justiça tributária com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Do outro lado estão aqueles que atacaram a democracia, que elogiam a ditadura militar, que não aceitaram o resultado das urnas e que conspiraram contra o Estado Democrático de Direito e promoveram atos de vandalismo, tentando um novo golpe em 8 de janeiro, após serem derrotados pelo voto popular. 

12. De um lado está o Brasil que entende que proteger o meio ambiente é proteger a vida, a soberania nacional e o futuro das próximas gerações. O governo do presidente Lula recolocou o país na liderança da agenda ambiental global, reduziu significativamente o desmatamento, fortaleceu os órgãos de fiscalização e reafirmou o papel dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, ribeirinhas e dos povos da floresta como guardiões fundamentais de nossos biomas. A realização da COP 30 no Brasil simboliza esse novo momento, em que o país volta a defender um modelo de desenvolvimento sustentável com justiça social. Do outro lado está o projeto representado pelo bolsonarismo, que incentivou o desmatamento, atacou a fiscalização ambiental, estimulou o garimpo ilegal em terras indígenas e defende a exploração predatória da Amazônia e de outros biomas, subordinando nosso patrimônio natural aos interesses imediatos de poucos e colocando em risco o equilíbrio ambiental do planeta. 

13. No cenário internacional, o Brasil voltou a exercer uma política externa altiva, soberana e comprometida com os interesses do povo brasileiro. Sob a liderança do presidente Lula, o país recuperou voz ativa no mundo, defendendo o multilateralismo, o diálogo entre as nações e a construção de uma ordem internacional mais equilibrada e multipolar. O Brasil voltou a ser respeitado como um ator relevante na promoção da paz, na cooperação entre os povos e na integração da América Latina, assumindo posição firme contra as guerras, contra qualquer forma de intervenção imperialista e em defesa da autodeterminação dos povos. Reafirmamos que a política externa brasileira deve servir à soberania nacional, ao desenvolvimento do país e à construção de um mundo mais justo, baseado no respeito entre as nações e na solução pacífica dos conflitos. 

14. Em contraste, setores da extrema direita brasileira chegaram ao ponto de defender medidas externas que prejudicariam a economia nacional, celebrando pressões internacionais e sanções contra o próprio país, numa postura de submissão a interesses estrangeiros após não aceitarem o resultado das eleições. 

15. É fundamental ainda fortalecer a capacidade do Estado brasileiro para sustentar nossa soberania. Isso implica valorizar a Defesa Nacional e desenvolver a inteligência estratégica, especialmente em um cenário de intensas disputas geopolíticas. Diante da cobiça internacional sobre nossas riquezas, como o petróleo e a biodiversidade, o Brasil precisa ampliar sua capacidade de antecipação, proteção e tomada de decisão autônoma. Proteger esses ativos é afirmar a soberania nacional como base inegociável de um projeto de desenvolvimento independente e comprometido com o povo brasileiro. 

16. Reafirmamos que o Brasil deve seguir defendendo sua soberania e a autodeterminação dos povos. Nesse sentido, reiteramos nossa solidariedade histórica ao povo cubano e defendemos o fim do bloqueio econômico imposto a Cuba, que há décadas penaliza injustamente seu povo e viola princípios básicos do direito internacional. 

17. O contraste entre os projetos também se expressa na agenda de direitos das mulheres. De um lado está o governo do presidente Lula, que colocou o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres no centro da agenda de governo, recriou o Ministério das Mulheres, fortaleceu políticas de autonomia econômica como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, avançou na igualdade salarial e ampliou políticas públicas de proteção, prevenção e combate à violência de gênero. Trata-se de reconhecer que a democracia e a justiça social no Brasil passam necessariamente pela garantia da vida, da autonomia e dos direitos das mulheres. 

18. Do outro lado está o campo político que extinguiu o Ministério das Mulheres, relativizou a violência contra as mulheres e naturalizou discursos machistas e misóginos no mais alto nível do poder. Não podemos esquecer que o próprio Jair Bolsonaro chegou a afirmar que ter uma filha mulher foi uma “fraquejada”, expressão que sintetiza a visão profundamente desrespeitosa e patriarcal que esse campo político reproduz. Foram eles que alimentaram discursos misóginos que se espalham nas redes sociais e sustentaram movimentos que transformam o ódio às mulheres em instrumento de mobilização. Não por acaso, esse clima de permissividade e naturalização da violência contribuiu para o agravamento da violência de gênero e para o aumento dos casos de feminicídio no país, demonstrando que o combate ao ódio e à misoginia também é uma tarefa fundamental para proteger a vida das mulheres brasileiras. 

19. Defendemos ainda uma política estrutural de cuidados e afirmamos que o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres passa necessariamente por essa agenda. É fundamental que o Brasil construa um Sistema Nacional de Cuidados, integrando creches, educação infantil, atenção a idosos, pessoas com deficiência, saúde mental e serviços domiciliares. Reconhecer o cuidado como trabalho socialmente essencial e valorizar profissionalmente quem o realiza é parte central de um projeto de país que protege a vida das mulheres e enfrenta as desigualdades de forma estrutural. 

20. O Brasil que defendemos é aquele que coloca a vida do povo no centro das decisões. Um país que avança na redução da jornada de trabalho e no fim da escala 6×1, garantindo mais dignidade, tempo de vida e justiça para milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Que assume a tarifa zero no transporte público como política estruturante, ampliando o direito à cidade, assegurando mobilidade e aliviando o orçamento das famílias. E que enfrenta os juros altos, promovendo sua redução para abrir um novo ciclo de desenvolvimento com inclusão social e sustentabilidade. Ressaltamos ainda que a luta pela redução da jornada de trabalho também dialoga com as transformações do mundo do trabalho, marcadas pela digitalização, pela plataformização da economia e pelo aumento da produtividade. Garantir mais tempo livre e melhores condições de vida para trabalhadores e trabalhadoras é parte essencial de um novo projeto civilizatório. Avançar nessas agendas é, acima de tudo, escolher um Brasil mais justo, mais humano e comprometido com o povo trabalhador. 

21. A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas. Trata-se de um parlamentar marcado por denúncias e investigações envolvendo esquemas de rachadinha, movimentações financeiras suspeitas e um histórico de enriquecimento incompatível com a vida pública. Ao longo de sua trajetória parlamentar, Flávio Bolsonaro jamais apresentou um projeto relevante para o desenvolvimento do país ou para a melhoria das condições de vida do povo brasileiro. Sua candidatura simboliza apenas a tentativa da extrema direita de manter vivo um projeto político baseado no ataque à democracia, na defesa de privilégios e na negação de direitos sociais. 

22. A experiência recente demonstra que apenas um projeto político profundamente identificado com o povo trabalhador é capaz de compreender a centralidade dessas lutas. O presidente Lula, primeiro presidente operário da história do Brasil, representa essa conexão histórica entre o governo e a vida real da classe trabalhadora brasileira.

23. Quando o povo brasileiro puder comparar de forma concreta esses dois projetos, o projeto democrático, popular e soberano liderado pelo presidente Lula e o projeto autoritário, neoliberal e subordinado da extrema direita, não temos dúvidas de qual caminho será escolhido. 

24. Para o Brasil escolher a democracia, a justiça social, a soberania nacional e o futuro, é preciso também garantir que esse projeto tenha força institucional para avançar. Isso passa necessariamente pela reeleição do presidente Lula, pela eleição de governadores e governadoras comprometidos com esse caminho e, de forma decisiva, pela construção de uma maioria democrática e popular na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Eleger bancadas comprometidas com o povo brasileiro é condição fundamental para assegurar governabilidade, enfrentar o poder do rentismo e da extrema direita no Parlamento e aprofundar as transformações que o país necessita, ampliando direitos, fortalecendo políticas públicas e consolidando um projeto nacional de desenvolvimento com justiça social. 

25. Sabemos que essa vitória não virá sem luta. Exigirá muito trabalho, mobilização social, organização da militância e diálogo permanente com o povo brasileiro. É com unidade, coragem e confiança no povo que construiremos mais uma vitória histórica em 2026. Lula presidente!

*Fonte: Site do PT Nacional

domingo, 15 de março de 2026

Quinze anos de Brasil 247: a comunicação do lado certo da História, que forma consciência e tem compromisso com o Brasil*

 


'Levar a sociedade brasileira da desinformação à verdade, da ignorância à consciência, da dependência à soberania. A frase que sintetiza nossa missão histórica.' (...)

*Leia a postagem, na íntegra, clicando AQUI (via Blog do Júlio Garcia).

**15 anos o site comemorou dia 13 de março. 

-Vida longa ao bravo Brasil 247!!!

sexta-feira, 13 de março de 2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo

 Brasil é um dos países longe da meta estabelecida pela ONU

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Foto: Cenipa/Divulgação

Redação TVT* - O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos agrotóxicos até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15). Saiba mais na TVT News. 

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância. 

Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%). 

O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo. 

“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo. 

Brasil em destaque

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. 

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo. 

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada. 

Tipos de agrotóxicos

Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada. 

O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores. 

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana. 

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, ​​aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo. 

Meta global distante

O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030. 

Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos. 

Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior. 

Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas. 

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade. 

*Com Agência Brasil - Via TVTNews

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Viagem à Índia - Lula diz que Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo

 

Lula faz balanço de viagem à Índia em coletiva de imprensa | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento, em especial os do chamado Sul Global, para “mudar a lógica econômica” do mundo. A afirmação foi feita na madrugada deste domingo (22), momentos antes de encerrar a visita à Índia e partir para a Coreia do Sul. 

Em coletiva de imprensa, Lula falou sobre as dificuldades históricas que países menos desenvolvidos têm durante as negociações com superpotências. 

“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse Lula. 

Segundo ele, “os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.

Brics

Na avaliação de Lula, o Brics tem colaborado no sentido de viabilizar essa nova lógica econômica para o mundo. O bloco, na avaliação do presidente, “está ganhando uma cara”. 

“É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os Estados Unidos têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”, argumentou. 

Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. “Nunca defendemos criar uma moeda dos Brics. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os Estados Unidos não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse. (...)

*CLIQUE AQUI para continuar lendo (via BdF)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

46 anos do PT: a atualidade de seu Manifesto de Fundação e a luta pela Constituinte Soberana*

 


Em plena ditadura militar e sob o peso da Lei de Segurança Nacional, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, representantes do Movimento Pró-PT vindos de 17 Estados brasileiros lançaram o manifesto de fundação do partido e reuniram as 101 assinaturas exigidas à época para sua formalização legal. O nascimento do PT e poucos anos depois da CUT, vieram na esteira de uma onda de greves e mobilizações que aceleraram o fim do regime e inauguraram uma nova etapa na representação política dos trabalhadores. 

Expressando a necessidade de construir um partido empenhado comprometido com mudança da ordem, seu manifesto afirma: “O Partido dos Trabalhadores nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política.” 

Fruto dessa correta orientação, oito anos depois, a bancada de 16 deputados do PT votou contra o texto da Constituição de 1988. Lula, então deputado, profere discurso irretocável: “Entramos aqui querendo 40 horas semanais e ficamos com 44 horas; entramos aqui querendo férias em dobro e ficamos apenas com um terço a mais nas férias; entramos aqui querendo o fim da hora extra ou, depois, a hora extra em dobro, e ficamos apenas com 50%, recebendo menos do que aquilo que o Tribunal já dava.” 

Lula também não poupou o latifúndio nem a tutela militar, em vigor até hoje, e adubo para a tentativa de golpe em 8 de janeiro: “Sobre a questão da reforma agrária, esta Assembleia Nacional Constituinte teve o prazer de dar aos camponeses brasileiros um texto mais retrógrado do que aquele que era o Estatuto da Terra, elaborado na época do Marechal Castello Branco. Os militares continuam intocáveis, como se fossem cidadãos de primeira classe, para, em nome da ordem e da lei, poderem repetir o que fizeram em 1964 (…).” 

E conclui: “Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses (…) E a questão do capital continua intacta (…). É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte.” 

É preciso lembrar como o Congresso funcionava à época. De manhã, era Constituinte, de tarde, legislava normalmente… na verdade uma “constituinte meia bomba”. Não se tratava de uma constituinte soberana. De lá para cá, o texto de 1988, teve inúmeros retrocessos como a reforma da previdência, trabalhista e fim do monopólio estatal do petróleo, para citarmos apenas alguns exemplos. 

As regras de sub-representação seguem, o voto não é proporcional, não existe voto em lista, o financiamento eleitoral privado continua liberado e o Congresso inimigo do povo agora é turbinado pelas bilionárias emendas parlamentares que contaminaram até o PT. O judiciário, por sua vez, se enrola entre interesses de poderosos como o caso do Banco Master mostra. Daí a atualidade do Manifesto do PT, 46 anos depois de sua fundação, e da necessidade histórica de uma Constituinte, mas Soberana desta vez, com plenos poderes, e não instalada submissa ao STF, com o Exército ditando Art. 142 da GLO, etc… Em 2026, o povo brasileiro ainda precisa de instituições e uma Constituição que seja sua. 

Agir como o PT agia, viva o Partido dos Trabalhadores! 

*Fonte: site do Diálogo e Ação Petista- DAP, via  Blog do Júlio Garcia  

domingo, 1 de fevereiro de 2026

‘Falta um protocolo sobre gesto de socorro para mulheres vítimas de violência’, afirma ativista

Silvana Conti, membro da diretoria da União Brasileira de Mulheres (UBM), afirma que faltam políticas públicas para disseminação do sinal

Imagem ilustra o início do gesto por ajuda. Em seguida, deve-se cobrir o polegar com os demais dedos Foto: Luís André/Secom

Por Felipe Prestes*

Um gesto simples pode salvar vidas. Abrir a palma da mão, dobrar o polegar e depois baixar os outros dedos, cobrindo o polegar, é uma maneira silenciosa de uma mulher demonstrar que é vítima de violência sem chamar atenção do agressor. Nesta terça-feira (27), em Bom Princípio, no Vale do Caí, policiais reconheceram o gesto e prenderam em flagrante o agressor de uma mulher de 35 anos. 

“Em um momento extremo, de desespero, a mulher precisa ter essa rapidez, essa agilidade de demonstrar de maneira silenciosa que ela sofre essa violência”, explica Silvana Conti, integrante da diretoria nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM). 

O gesto surgiu em 2020, no Canadá, após o aumento de casos de violência doméstica durante o isolamento social da pandemia, e logo passou a ser reconhecido internacionalmente, sendo batizado de Signal for Help (sinal por socorro). Para a ativista, falta um protocolo para a adoção dele pelas autoridades no Brasil. “Já faz seis anos, e esse gesto ainda não é conhecido plenamente. Não tem um protocolo nacional que tenha um padrão de formação para as autoridades”, critica.

 

    Para Silvana Conti, gesto precisa ser ensinado nas escolas Foto: Divulgação

Silvana Conti afirma que também seria necessário informar amplamente como a população deve agir quando reconhece o gesto feito por uma vítima de violência “Grande parte da população, das mulheres, não conhece o gesto ou conhece pouco, mas não sabe como agir de forma segura. Se a gente está na rua, e acontece esse gesto, a gente não pode confrontar o agressor, mas sim buscar uma ajuda institucional, de forma segura. Acionar os serviços de proteção e canais oficiais de denúncia, justamente para evitar a exposição daquela mulher que está pedindo socorro”. O Disque 180 é uma central de atendimento à mulher que funciona 24 horas por dia e em todo o território nacional. 

A dirigente da UBM ressalta, ainda, que são necessárias políticas públicas sobre este gesto para além da segurança. “Todas as políticas públicas, não só de segurança pública, deveriam ter uma formação para conhecimento desse gesto, inclusive, na própria educação”, defende. 

Conti também cobra uma ação do Estado face aos 11 feminicídios já ocorridos neste ano no Rio Grande do Sul. “É super importante a gente compreender que estamos vivendo uma epidemia. A UBM considera um descaso do Estado. Essa violência brutal deve ser considerada uma violação de direitos humanos”.

*Fonte: Sul21

sábado, 31 de janeiro de 2026

PT declara apoio a Cuba e condena novas ameaças dos EUA

  


Nota pública critica bloqueio econômico e aponta escalada do presidente dos Estados Unidos na América Latina 

A Comissão Executiva Nacional do PT divulgou uma nota pública em que manifesta apoio à República de Cuba diante do que classifica como novas ameaças do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O partido afirma que a soberania e a autodeterminação do povo cubano estão novamente sob risco, em meio a uma ofensiva que, segundo o texto, amplia a pressão dos Estados Unidos sobre países da América Latina. (...)

*CLIQUE AQUI  para ler , na íntegra.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Fórum Social Mundial: 25 anos na construção de um Outro Mundo Possível

Em 2001, Porto Alegre foi a cidade escolhida para receber o encontro que se oporia o Fórum Econômico de Davos | Foto: Ayrton Centeno

Por Mauri Cruz (*) 

Neste janeiro de 2026, celebramos os 25 anos da primeira edição do Fórum Social Mundial realizada em Porto Alegre e que se lançou como um espaço de resistência e luta pela construção de um outro mundo possível, anticapitalista, anti-imperialista e radicalmente democrático. 

Neste contexto de comemorações, é imprescindível refletirmos sobre o que é democracia nos dias atuais. Democracia seria o presidente Trump mobilizar o exército norte-americano contra seu próprio povo, com assassinatos, violências e deportações? Democracia seria a invasão e sequestro de um presidente eleito, Nicolás Maduro, e de sua companheira, Cília Flores, em total desrespeito a soberania do povo venezuelano? Democracia seria o abandono das mesas de diálogos e negociações das Nações Unidas e a postura de xerife do mundo, praticada por Trump e seus asseclas? A resposta a essa pergunta é fundamental para entendermos o momento crítico que vivemos. 

Para nós, democracia é o poder do povo, organizado e soberano, que decide sobre seu futuro através de processos eleitorais e participativos, com responsabilidade e sabedoria popular. 

Hoje, o que está em jogo é esse modelo de democracia participativa, presente em vários países como Brasil, México, Colômbia, Uruguai, Cuba e Venezuela, onde o povo é convocado a decidir seu destino, em contraposição a um modelo autoritário que age única e exclusivamente em benefício do sistema capitalista, voltado para o lucro a qualquer custo e em detrimento da preservação da natureza e da vida humana. Trump e a extrema-direita não representam a democracia, mas a face mais cruel sanguinária das ditaduras. 

O FSM nasceu em tempos de desesperança. Naquela quadra histórica, vivíamos as consequências da queda do muro de Berlin, ocorrida em 9 de novembro de 1989 e da dissolução da União Soviética em 26 de dezembro de 1991. Em dois anos, duas derrotas profundas para o campo anticapitalista e que foram apresentadas como símbolo da vitória do capitalismo sobre a utopia socialista. Naquele momento, era apresentado um caminho único para a humanidade: o neoliberalismo defendido pelo Fórum Econômico Mundial de Davos. 

Neste contexto de derrotas e de desilusões, o Fórum Social Mundial nasceu em Porto Alegre, não como uma novidade de luta, mas como um espaço de encontros das diversas lutas populares que já existiam. Ele se tornou um catalisador para a resistência contra o pensamento único, reunindo forças que lutavam por um mundo mais justo, democrático e igualitário. Essa iniciativa encontrou em Porto Alegre um processo revolucionário, onde forças democráticas, de esquerda e progressistas mobilizavam a cidadania para as conquistas de direitos, invertendo prioridades na execução de políticas públicas e, através da democracia participativa, confrontando, nos marcos da democracia burguesa, o poder político e econômico das grandes elites capitalistas. Naquele 2001, em meio as decepções da luta internacional anticapitalista, havia uma experiência concreta que apontava para um outro mundo possível. Foi a prática inovadora que nos mostrou o caminho. E assim nasceu o Fórum Social Mundial. 

Mas o mundo que gerou o FSM não existe mais. Vivemos uma era de extremos. A extrema-direita opera de forma global, com seu programa máximo que tem a exclusão e a morte como modus operandi. O campo democrático e progressista em todo o mundo se vê forçado a alianças com as forças capitalistas e neoliberais que necessitam da democracia burguesa. Há um ambiente de profunda incerteza e desorganização. Contraditoriamente, a realidade atual nos demonstra que vivemos um tempo em que há condições objetivas para a construção de uma sociedade planetária que atenda as necessidades de todos os seres humanos. A evolução tecnológica, que é fruto do trabalho humano, possui capacidade de produzir e suprir as necessidades de alimentação, moradia, saúde, educação, mobilidade, cultura e lazer em um planeta equilibrado e eficiente. O problema não é econômico, tecnológico ou social. O problema é político. 

No entanto, nós, que somos a verdadeira alternativa para a humanidade, permanecemos desarticulados e sem capacidade de uma reação planetária realmente potente. Quando vamos cair na real que, para mudar esse quadro, é necessário superar a fragmentação dos movimentos sociais e reconhecer que a luta não se resume aos projetos individuais ou as pautas específicas? 

Quando vamos parar de disputar narrativas, priorizar os dissensos e as pautas que nos desunem? Temos que aceitar que, unidos, podemos construir uma transição para uma outra realidade, pós-capitalista, e defender a sobrevivência da humanidade frente ao fascismo e este capitalismo apocalíptico. A China, o Brasil e o México, com todas as suas contradições e dificuldades, nos mostram um caminho. 

É hora de incorporar as lições do passado e reunir forças em torno de estratégias comuns que sejam capazes de construir uma verdadeira alternativa ao capitalismo. Neste sentido, é preciso reconhecer que, para construir a unidade, o Fórum Social Mundial é uma experiência válida, embora não seja a única. Há inúmeros problemas e dissensos sobre como proceder. Mas precisamos exercitar a paciência histórica. E, em termos históricos, 25 anos é quase nada. Como processo ainda está engatinhando. Faz parte. As experiências das internacionais socialistas, por exemplo, não tiveram a capacidade de impedir o avanço do capitalismo neoliberal, no entanto, seguem gerando frutos para a luta anti-imperialista até os dias de hoje. 

Mas estamos ficando sem tempo. Neste ano de 2026, há um desafio enorme para as esquerdas que é a reeleição do presidente Lula, a eleição de Iván Cepeda na Colômbia e a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA. Mas passa também pela reconstrução e fortalecimento da articulação dos povos e movimentos sociais latino-americanos em defesa de nossa soberania e pela retomada do processo de articulação e mobilização da cidadania internacional em defesa uma governança global multilateral e democrática. Diante desses desafios, o Fórum Social Mundial em agosto de 2026 no Benin se torna ainda mais relevante, como um símbolo de resistência, de esperança e de reconstrução. 

Porto Alegre, 25 anos depois, segue cumprindo sua missão internacionalista e apoiando esse processo global ao realizar a I Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos. Nos encontraremos lá. Pátria Livre! Venceremos! 

(*) Advogado, militante social, diretor do Instituto de Direitos Humanos – IDhES, consultor da Usideias, autor do livro “Democracia, Direitos dos Povos e do Planeta” pela Editora Usideias. - Fonte: Sul21

‘A MORTE DO JORNALISMO’

 

Jornalismo (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr)

Por Alex Solnik*

Comete crime quem atende pacientes no hospital ou no consultório sem ter um diploma de médico e o registro formal no Conselho Regional de Medicina (CRM). O paciente atendido por um leigo ou um charlatão corre o risco de ficar mais doente e, no caso extremo, vir a óbito. 

Quem pretende desenhar ou construir casas, prédios, viadutos e estradas, tem que se formar arquiteto ou engenheiro, e obter o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) ou no Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU/UF) para exercer a profissão. Se um leigo ou um charlatão assume desenhar ou construir, o prédio corre o risco de cair, e seus moradores, acabar sob escombros. 

O mesmo se dá com advogados, que obrigatoriamente têm que estudar Direito e só podem exercer a profissão depois de passar pelo crivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Caso contrário, poderão levar à condenação aqueles que pretendem defender. 

O Jornalismo, embora seja tão fundamental quanto a Medicina, a Arquitetura, a Engenharia e a Advocacia virou terra de ninguém, onde qualquer um, mesmo sem nem saber escrever corretamente, sem nenhum diploma, sem passar pelo crivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), se arvora em “informar”, “opinar” e “formar opiniões”, sem conhecer os requisitos mínimos da profissão, como a obrigatoriedade de “consultar os dois lados” e só transformar um assunto em notícia se as cinco questões básicas - quem, onde, quando, como e por que - podem ser respondidas por completo. 

A consequência dessa torre de Babel é a desinformação, proposital ou não, que distorce fatos, confunde a opinião pública e destrói a credibilidade da imprensa. 

As chamadas “redes sociais”, onde leigos e charlatães encontram campo fértil para disseminar seu ódio, suas mentiras e suas idiossincrasias, sem vergonha e sem freios, permitem que o jornalismo seja assassinado minuto a minuto, dia a dia, sob o olhar complacente da sociedade, que não percebe o que isso significa. 

É verdade que há jornalistas diplomados e experientes que não seguem as boas práticas do Jornalismo, como também há médicos, advogados e engenheiros transgressores. Mas isso não pode ser usado como argumento para abolir a exigência dos diplomas. 

Também é verdade que jornais e revistas podem disseminar meias verdades ou distorcer fatos de acordo com seus interesses. Não há como negar. 

Só que, em razão de suas tiragens serem limitadas, não provocam tantos danos quanto as “redes sociais” que, ao divulgar essas mesmas “notícias” atingem milhões de pessoas em poucos minutos. 

A morte do Jornalismo não é só um atentado à informação correta, tão fundamental para a sociedade quanto um prédio bem construído, um doente bem medicado, um injustiçado bem defendido. 

A morte do Jornalismo leva, em última análise, à morte da Democracia. 

Quando todos são “jornalistas”, ninguém é.

*Jornalista

**Com o Blog do Júlio Garcia - Fonte: Brasil247

domingo, 18 de janeiro de 2026

DEPUTADA FEDERAL MARIA DO ROSÁRIO (PT/RS) CONCEDERÁ ENTREVISTA À RÁDIO SANTIAGO FM

 


A entrevista com a Deputada Federal Maria do Rosário, do PT gaúcho, à Rádio Santiago FM (Programa Olho Vivo, com o radialista Jones Diniz), será realizada na próxima terça-feira, dia 20/01, às 8,10 horas. 


Na pauta, análise da atual conjuntura política (internacional, nacional e estadual), balanço do seu mandato, eleições deste ano, dentre outros importantes temas.

 

-Não deixe de acompanhar (pelo rádio ou via internet).


**Nota do Blog: a entrevista com a Deputada, por questões de agenda com o Presidente Lula, teve que ser adiada para outra data ainda a ser agendada.


sábado, 17 de janeiro de 2026

Entramos no ano eleitoral*

 


Por Emir Sader*

 

Chegou o ano das novas eleições presidenciais, junto com as de governadores e parlamentares, para a Câmara e o Senado.

 

Claro que a eleição presidencial é a que tem consequências maiores para o Brasil. Começa a guerrilha da manipulação das pesquisas, de que a mídia tradicional se vale para todo tipo de especulação, o que revela uma clara incomodação com o favoritismo do Lula e com a falta de um candidato competitivo da direita.

 

Lula é candidato forte à reeleição, ao seu quarto mandato. Fernando Haddad sairá do governo para coordenar a campanha.

 

Lula está plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e sobre as perspectivas futuras para o país.

 

O prestígio do Lula se reflete no interesse de uma quantidade enorme de candidatos, de vários partidos, de que ele os apoie nos seus estados. Não apenas no Nordeste, mas em vários outros estados do Centro-Sul e do Sul do país também.

 

A direita parece se concentrar agora em um filho do Bolsonaro, o Flávio, indicado por ele como seu candidato. Não é o favorito dos grandes empresários — da chamada Faria Lima —, que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

 

Este cometeu muitos erros, inclusive o de apoiar firmemente Bolsonaro, mesmo depois da condenação e da prisão deste, com a ideia de herdar seus votos e de retribuir o apoio que teve de Bolsonaro para chegar a ser governador de São Paulo.

 

Mas confiava que, sendo o preferido dos grandes empresários e contando com boa posição nas pesquisas, fosse o candidato da oposição. Vacilava, porque poderia, perdendo as eleições presidenciais, ficar sem o governo de São Paulo e sem nenhum mandato.

 

As pesquisas, confiáveis ou não, manipuladas ou não, revelam que Bolsonaro tem um poder ainda alto de transferência, de forma que seu filho Flávio está em melhor situação nas pesquisas, enquanto o apoio do eleitorado a Tarcísio é claramente menor.

 

Na campanha, as falácias de supostas heranças do governo Bolsonaro ficaram escandalosamente claras. Em um debate, além da capacidade de argumentação de Lula, os dados dos governos Lula e os do governo Bolsonaro são escandalosamente desfavoráveis a este.

 

Além da questão democrática, em que o filho de Bolsonaro terá de arcar com o ônus do compromisso, juridicamente comprovado, de seu pai com a tentativa de golpe do 8/1. Não haverá como tentar desvinculá-lo, até porque foi condenado e preso por esse compromisso.

 

Em suma, as condições são muito favoráveis a Lula, tanto nas condições de ponto de partida, mesmo em pesquisas não confiáveis. Dá para imaginar que a campanha e os debates o fortaleçam mais ainda.

 

De alguma forma, a direita está conformada com a reeleição de Lula. Trata de tentar manter o controle do Senado e da Câmara, para dificultar, na medida do possível, um eventual novo mandato de Lula. Mas o próprio Centrão está enfraquecido. Um setor do Centrão, que tem dificuldades de ficar longe do governo, se aproxima de Lula.

 

Essas são as condições do começo da campanha. Treino é treino, jogo é jogo, é verdade. Mas, no jogo, Lula é insuperável.

 

*Fonte: Revista Fórum (via Blog do Júlio Garcia)