sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Golpe quer apagar a lamparina dos desgraçados


Ulisses Guimarães


A PEC do golpe viola a Carta de 1988 que sempre foi vista pela aduana dos abastados como um bote apinhado de gente perigosa.


Por Saul Leblon, na Carta Maior*

Em cinco de outubro de 1988, a nação que vivia desacolhida dentro do próprio país conquistou um bote para remar seu anseio por pátria e cidadania.

Com as virtudes e defeitos sabidos, a Constituição Cidadã, promulgada há 28 anos, esticou o pontão dos direitos sociais --no que tange à lei--  ao ponto mais avançado permitido pela correlação de forças que sucedeu à ditadura.

Conduziu-a um impulso gigantesco de ondas políticas sobrepostas.

A resistência heroica à ditadura, em primeiro lugar.

Mas também os levantes operários surpreendentes registrados no ABC paulista, nos anos 70/80.

Metalúrgicos liderados então por uma nova geração de jovens sindicalistas, afrontaram a repressão e o arrocho, paralisaram fábricas, encheram estádios e igrejas, tomaram praças e ruas. 

Irromperiam assim nacionalmente como a fonte nova da esperança, dotada de força e merecedora do consentimento amplo para falar pela sociedade, mas sobretudo pelas famílias assalariadas em defesa do pão e da liberdade.

Como uma onda oceânica de dimensões até então desconhecidas, o levante metalúrgico seria sucedido de um explosivo anseio por direitos, que levaria milhões às ruas na campanha política mais avassaladora da história nacional: as ‘Diretas Já!’, pelo fim da ditadura.

Trincou ali o mar glacial da desigualdade brasileira.

O degelo esticaria a fronteira da democracia na reordenação do país a cargo da Assembleia Constituinte de fevereiro de 1987.

‘Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora’, diria Ulysses Guimarães, vinte meses depois, na promulgação da carta.

‘Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados’, profetizou então o ‘senhor Diretas’.

A lamparina dos desgraçados bruxuleia agora na ameaçadora noite de ventania que acossa o Brasil dos golpistas de 2016, que pretendem viola-la por vinte anos naquilo que é a essência da sua identidade: ser o abrigo de direitos básicos essenciais e universais, como o direito à alimentação, a saúde, à escola, a  oportunidades iguais na infância e à dignidade na velhice.

Quase três décadas depois de abertas as portas constitucionais dessa acolhida,  o Brasil que vivia na soleira, do lado de fora do mercado e da cidadania – encontra-se  de novo ameaçado de banimento.  

São os ‘nossos árabes’, diria Chico Buarque de Holanda, em síntese premonitória, em 2004.

Vale a pena reler a sua entrevista pela assustadora atualidade de suas palavras.

O que fica claro na percepção aguçada do artista, então, é a natureza estrutural do ódio de classe hoje aguçado e disseminado, como se viu nas eleições municipais, por um combate seletivo à corrupção, determinado na verdade a cometer um politicídio contra o Partido dos Trabalhadores que emergiu nesse processo.

 A verdade é que a opção pelo apartheid em detrimento da nação foi apenas superficialmente dissimulada no interregno recente de expansão do PIB.  

Aquilo que latejou em banho maria dentro das caçarolas francesas, voltaria a borbulhar com violência, porém, ao primeiro sinal de aguçamento do conflito distributivo, agora caramelizado de indignação ética.  

A percepção de Chico há 12 anos, no início do processo, evidencia que sempre fomos os mesmos.  

O que se diz dos ‘nossos árabes’ agora é que já não cabem no orçamento.

Ou como prefere a dissimulação técnica da guerra social: ‘A Constituição de 1988 não cabe no equilíbrio fiscal’.

Coisas parecidas são ditas nesse momento por governantes e extremistas de uma Europa que não sabe o que fazer com seus próprios ‘árabes’ – mais de 20 milhões de desempregados criados pela austeridade neoliberal — vendo na chegada dos de fora, os  refugiados, os migrantes, o risco de um desnudamento social explosivo.

O fato é que a Carta de 1988 sempre foi vista pela aduana das classes abastadas como um bote apinhado de gente perigosa.  

Lei escrita na contramão do espírito da época, ela afrontaria a ascensão das reformas neoliberais em marcha, irradiadas de um triângulo sugestivo.

Dele faziam parte um golpe sangrento (Pinochet;1973); uma contrarreação ao poder sindical e trabalhista na sua principal trincheira (Thatcher; 1979)  e um cowboy determinado a regenerar o poder do dólar no velho oeste do capitalismo (Reagan; 1981).

Quando Ulysses Guimarães proferia seu discurso histórico em 5 de outubro de 1988 enaltecendo a coragem constituinte de fazer do Brasil  ‘o quinto  país  a implantar o instituto moderno da seguridade (social), com a integração de ações relativas à saúde, à previdência e à assistência social, assim como a universalidade dos benefícios (da aposentadoria) para os que contribuam ou não...’, Tatcher reinava no antepenúltimo dos seus 11 anos dedicados a  erigir uma referência de devastação dessa mesma matriz de direitos sociais civilizatórios.

O Chile havia perdido uma geração assassinada, presa ou exilada, pavimentando-se assim o estirão precursor daquilo que hoje se conhece pela senha de ‘reformas’.

Quando Ulysses encerrava sua saudação com o brado ‘Muda Brasil!’, Reagan percorria o penúltimo ano do seu segundo mandato.

Seria sucedido por Bill Clinton, o democrata amigo do PSB.O marido de Hillary, a democrata que agora pleiteia a mesma cadeira na Casa Branca, cuidaria de arrematar a desregulação neoliberal do mercado financeiro –com as consequências integralmente contabilizadas 10 anos depois, na quebra do Lehman Brothers em 2008, que desencadeou o atual  colapso da ordem neoliberal.  

A Carta brasileira sempre foi vista pela elite e pelo dinheiro como a ovelha negra dessa supremacia mercadista  ora esgotada.

A pedra no meio do caminho enfrenta agora um acerto de contas com os que se mostram determinados a recuperar o tempo perdido para capacitar o Brasil a ingerir, de um só golpe,  todo o repertório de reformas destinadas a suprimir direitos e acrescentar espoliação dos que vivem do próprio trabalho.

O que impulsiona o sopro conservador contra a ‘lamparina dos desgraçados’ nesse momento?

Um desses paradoxos da história: o enfraquecimento –que o juiz de Curitiba pretende transformar em aniquilamento--  do partido que assentiu com reservas a ela em 1988, mas que pelas linhas tortas da luta política tornar-se-ia seu principal guardião.

Entre outros motivos, o PT rejeitou o resultado Constituinte –embora assinando a Carta-- por considera-lo, como de fato era, paralisante do ponto de vista da reforma agrária, avesso à pluralidade sindical, elitista no que tange à redistribuição fiscal da riqueza e  ao controle do sistema financeiro, ademais de preservar esporões da ditadura no sistema político e no aparato de segurança.

A anistia recíproca para vítimas e algozes do regime militar, o mais evidente destes acintes.

Mas não só.  

A correlação de forças expressa na Assembleia de 1987, ademais, não permitiria ao país erigir uma Carta  autoaplicativa em temas de relevância  crucial para o futuro do desenvolvimento e da democracia social almejada.

Caso exclamativo dessa lista é o do artigo 220, parágrafo 5º, que veta o monopólio ou o oligopólio sobre os meios de comunicação, nunca regulamentado --nem no ciclo interrompido pelo golpe de 31 de agosto último.

Pouco mais de uma década de governos petistas abriria, porém, uma fresta de avanços no cumprimento de políticas sociais, na aplicação de direitos trabalhistas, no acesso ao crédito, à escola, à moradia, no direito à segurança alimentar, na recomposição do poder aquisitivo do salário mínimo, na soberania nacional, na defesa das riquezas nacionais –tudo como previsto no espírito da Constituição Cidadã.

Os ‘nossos árabes’ atravessaram a fronteira do mercado e bateram na porta da cidadania nesse estirão.

Até a eclosão do golpe,  formavam 53% do mercado de massa e 46% da renda nacional.  

O conjunto de certa forma soldou em um só destino a sorte deles, a da Carta e a do partido que dela divergiu, mas se tornou o escudeiro e por isso o alvo dos seu algozes.

Um dos elos mais importantes desse entrelaçamento foi o ganho real de quase 70% promovido nos últimos anos no poder de compra do salário mínimo.

Sua extensão plena aos aposentados do campo e aos beneficiados por idade, viuvez  e invalidez é parte da chama cidadã que o golpe deseja erradicar agora.

Estamos falando de um contingente de 18 milhões de brasileiros. Multiplique-se isso por quatro dependentes: temos aí um universo de 70 milhões de pessoas.  

Não é preciso validar integralmente o ciclo de governos iniciado em 2003 para admitir que essa obediência ao espírito de 1988 sacudiu placas tectônicas do apartheid social brasileiro.

Acrescente-se ao degelo, o alcance de outras políticas pertinentes à promoção da segurança social, caso do Bolsa Família, por exemplo.  

O bote inflável passa a abarcar um contingente de pelo menos 60 milhões ‘dos nossos árabes’, diria Chico, a atravessar o limite do mercado interno.

No meio do caminho eclodiu uma crise mundial.

Com nitidez vertiginosa, avultaria o fato de que esse país em ponto de mutação não cabe mais no formato anterior de um mercado com infraestrutura, sistema tributário, fiscal e político planejados para 1/3 da população.

As tensões decorrentes desse processo ocupam agora o centro da crise política aguçada pelo golpe e do debate macroeconômico decorrente da crise que essa encruzilhada desencadeou.

Mais que isso: orientam a luta de vida ou morte do conservadorismo contra a sigla que, involuntariamente, tornou-se a guardiã do espírito de 1988 no Brasil do século XXI.

A longa convalescença da crise mundial sistêmica não gerou forças de ruptura – ‘menos ainda no Brasil, preservado dela até 2013, às custas de ações contracíclicas cujo esgotamento esgotou também a coalizão e a governabilidade --favorecendo a virulência conservadora em curso.

A macroeconomia desse braço de ferro está assentada em contradições sabidas (integração mundial desintegradora ou inserção soberana via BRICs, ancorada em resgate industrializante com o pré-sal, associado a um controle de capitais que permita ao país ter câmbio competitivo, sem cair na servidão rentista dos juros siderais para evitar fugas recorrentes de dólares?)

 Mas é sobretudo a ‘rigidez das despesas obrigatórias’  – receitas vinculadas a direitos sociais pela ‘lamparina  dos desgraçados’--  que  constitui o alvo central do cerco conservador nesse momento.

Expresso na PEC 241, o que se pretende é restringir o alcance dessas obrigações, corrigindo-as exclusivamente pela variação de preços do ano anterior durante duas décadas, o que significa um monstruoso horizonte de arrocho em termos reais.

Porém é mais do que uma rasteira datada o que está em jogo.

Trata-se, na realidade, de violar o coração da Carta de 88 que encerrava uma concepção solidária de sociedade para o futuro do país.  

A expressão ‘des-emancipação social’, cunhada pelo filósofo italiano Domenico Losurdo, expressa a brutalidade e a abrangência do galope posto na rua pelo golpismo, com a cumplicidade vergonhosa das esporas liberais (leia http://cartamaior.com.br/?/Editorial/O-silencio-dos-liberais-raizes-da-vergonha-brasileira/36887)

A Constituinte de 1987 não reconheceu nos mercados a autossuficiência capaz de destinar os frutos do desenvolvimento à construção da cidadania plena, ainda indisponível à ampla  maioria da sociedade.  

Destinou assim ao Estado e às políticas públicas um papel indutor constitucional do desenvolvimento econômico e social.

O mantra do equilíbrio intrínseco aos livres mercados pretende agora  promover o desmanche dessa diretriz, lancetando da Carta o compromisso do Estado de assegurar a universalização de direitos sociais básicos ao conjunto da população.

A PEC 241 é a ponte para a mutação futura desses direitos em serviços, vendidos pelo mercado.

É o que de forma abusada dizem os próprios golpistas e seus vulgarizadores na mídia.  
O padrão de Estado Social ‘com direitos europeus’, segundo eles, é incompatível com a expansão capitalista no Brasil.

‘Encarece o custo do investimento privado’, afirmam.  

‘Gastos obrigatórios  rebaixam a poupança do setor público’, fuzilam.  

‘O conjunto move a engrenagem do desequilíbrio fiscal e pressiona a taxa de juro, impedindo o desejado ciclo de investimento sustentável’, arrematam.

Parece sensato, desde que se exclua da equação a variável da justiça fiscal.

A verdade é que a equação martelada hoje pelo conservadorismo está deliberadamente mal posta.

A escolha entre arrocho ou desordem fiscal não é a única possível.

A repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, só é viável se for contemplada a alternativa inclusiva.

Aquela em que a insuficiência fiscal é atenuada por um avanço de justiça tributária, com taxação da riqueza financeira, alíquotas progressivas (no governo Jango, por exemplo, a alíquota máxima era de 60%) , revogação das isenções para rentistas e de privilégios para os acionistas.  

Ou tudo isso condensado em uma sigla única: CPMF.
  
A tensão política travestida em impasse fiscal atingiu seu nível máximo, no impulso de impasses econômicos e contradições políticas que já não cabiam nos limites da institucionalidade disponível.

O golpe foi a resposta das elites e da plutocracia, com o apoio nada desprezível da mídia, das togas, da escória parlamentar e da República de Curitiba.

Inclui o desmonte da Carta de 1988 e o aniquilamento do  PT. Ou  vice -versa , já que os dois destinos se entrelaçaram.

Do ponto de vista progressista, o passo seguinte do processo iniciado em 1988 requer uma árdua repactuação de forças que viabilize um retomada de crescimento associado a  um salto qualitativo na inclusão dos ‘nossos árabes’.  

Não é tarefa para um partido, mas para uma gigantesca frente ampla dos interesses contrariados pela centralidade argentária fortemente excludente do golpe.

Implementa-la não é uma tarefa retórico. O verdadeiro desafio hoje é fazer de cada luta econômica, de cada bandeira política, de cada palanque eleitoral, de cada trincheira cultural uma oficina de construção da frente ampla.

Depois de navegarem da pobreza para o mercado, as forças sociais banidas pelo golpe  terão que assumir o leme do próprio destino na vida nacional. Caso contrário, o risco de morrerem na praia será imenso.  


(*) Esse texto atualiza informações publicadas em CM em 05/10/2015

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Propaganda enganosa da mídia e do governo Temer entrega pré-sal de bandeja às multi


pré-sal entreguistas
Foto dos petroleiros é de Lula Marques/Agência PT
Pré-sal: Propaganda enganosa da mídia e do governo golpista coloca em risco a soberania nacional
do PT na Câmara  (via Viomundo)*
Não foram poucas as tentativas dos parlamentares da Bancada do PT na Câmara de tentar salvar a Petrobras da sanha entreguista da oposição. Apesar da luta árdua travada nos últimos meses, a falácia e os interesses das multinacionais petrolíferas prevaleceram, nesta quarta-feira (5), quando foi aprovado na Câmara o projeto de lei (PL 4567/16), que retira da Petrobras o protagonismo na produção e exploração na camada do pré-sal.
Venceu a propaganda poderosa da mídia golpista que, em parceria com o governo ilegítimo, vendeu a ideia de que a empresa – que sempre foi o orgulho do povo brasileiro – está quebrada.
“A mídia golpista deste País tentou convencer o povo brasileiro de que a Petrobras está quebrada e que lá é um antro de corrupção. Não há nada mais errado do que isso, nada mais golpista do que isso. Induziram o povo brasileiro ao erro”, denunciou o vice-líder da Minoria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) em discurso feito na tribuna da Câmara, nesta quarta.
Zarattini ainda reiterou que essa versão equivocada “rodou o país para que o povo fosse enganado e desse razão a um projeto que é antinacional e contra os interesses populares”. “Já dizia um americano: Não existe nada melhor do que uma empresa de petróleo no mundo. É por isso que as multinacionais querem pôr a mão no petróleo brasileiro”, alertou.
Outra crítica contundente ao entreguismo comandado pelo PSDB partiu do vice-líder da Bancada do PT, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). “Há interesse de colocar o Brasil de cócoras, de transformar este País no quintal das multinacionais. É contra isso que nós nos insurgimos”, salientou.
“Nós estamos aqui para dizer ao povo brasileiro que esta visão é contrária ao interesse do povo. Os senhores se portam nesta Casa como garotos de recado das grandes petroleiras norte-americanas, dos interesses internacionais dentro do nosso País. E é por isso que serão condenados pela história, pelo papel que V.Exas. desempenharam esta noite nesta Casa”, condenou o deputado.
Para o deputado Henrique Fontana (PT-RS), entregar o patrimônio nacional é uma prática recorrente daqueles que tomaram de assalto o poder no Brasil. “V.Exas. são entreguistas, sim! Não é a primeira vez que esta elite quer entregar a riqueza nacional na mão de multinacionais: Getúlio Vargas sofreu com isso. V.Exas. tentaram privatizar a Petrobras no tempo de Fernando Henrique e voltam a tentar agora, no Governo ilegítimo de Temer”, acusou. “Os brasileiros sabem que a Petrobras é nossa. Vamos combater a corrupção, fortalecendo a empresa, não a atacando”, defendeu Fontana.
O deputado Zé Geraldo (PT-PA) lembrou-se da origem do projeto de lei que retira da Petrobras o protagonismo na produção e exploração na camada do pré-sal. “Este projeto que nós estamos votando, é do Serra. É exatamente o projeto de quem perdeu a eleição quatro vezes! Agora, estão vendendo o que o Brasil tem de melhor”, lamentou.
“Nós estamos debatendo exatamente o mesmo modelo que fizeram antes de o Lula ganhar. Venderam a Vale do Rio Doce. No Pará, desde que venderam a Vale, até hoje, dia e noite, vagões e mais vagões transportam ferro para fora do Brasil. E não sobra nada para este País! É isso que vai acontecer com a nossa Petrobras”, anunciou.
Benildes Rodrigues
Leia também:
*Fonte: http://www.viomundo.com.br/

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A VITÓRIA DO BANDITISMO - Nas semanas que antecederam a eleição deste domingo, foi processado o mais impressionante bombardeio já sofrido por um partido político na história do país



Por Jeferson Miola*

O resultado eleitoral representa o êxito praticamente absoluto da estratégia golpista. É sinal inequívoco da vitória do banditismo sobre a democracia. Mais que uma derrota do PT, foi uma vitória do banditismo político, jurídico e midiático.

Nas semanas que antecederam a eleição deste domingo, foi processado o mais impressionante bombardeio já sofrido por um partido político na história do Brasil.

O ataque aterrador de juízes [inclusive do STF], procuradores do MP e delegados da PF para alvejar lideranças e candidaturas do PT não encontra precedente histórico.

Numa campanha eleitoral breve, com duração de 45 dias, durante 30 dias [75% deste tempo!] inundaram a eleição com assuntos policiais, incriminando o ex-presidente Lula e ministros dos governos do PT. 

A Globo fez propaganda caluniosa no Jornal Nacional de sábado, a menos de 12 horas do início da votação: noticiou falsamente que a Presidente Dilma foi privilegiada com a obtenção de aposentadoria em 24 horas, enquanto a população tem de aguardar 74 dias para a concessão deste direito!

A violação da soberania popular é indiscutível. A interferência no resultado eleitoral é evidente. A operaçãoboca-de-urna da Lava Jato interferiu na capacidade de escolha independente das pessoas, deturpando o exercício pleno da vontade popular.

O condomínio golpista foi bem sucedido eleitoralmente. A única capital conquistada pelo PT foi Rio Branco/Acre. As cidades do Rio, com Marcelo Freixo [PSOL]; do Recife, com Joao Paulo [PT] e do Belém, com Edmilson [PSOL], restaram como as principais apostas das forças progressistas no segundo turno.

O padrão da luta política deverá se alterar substancialmente depois deste crime eleitoral. A oligarquia golpista se julgará autorizada a acelerar e radicalizar os retrocessos sociais, trabalhistas e previdenciários; a entrega da indústria e da riqueza nacional e o comprometimento da soberania do país.

Os deputados e senadores do bloco golpista iniciarão, nos próximos dias, a votação acelerada das pautas anti-civilizatórias, como a PEC 241, que diminui e congela por 20 anos os investimentos no SUS, na educação e nas áreas sociais.

Com a vitória acachapante, os fascistas gozarão de um poder ainda mais temerário. Eles não abdicarão da repressão policial e da violência política e institucional para esmagar a resistência democrática e a oposição ao regime de exceção.

A escalada autoritária terá como contrapartida muita resistência, luta e desobediência civil. O clima político se encaminha para o confronto e a radicalização.

Enganam-se os comentaristas da imprensa servil ao regime de exceção e seu governo golpista: o banditismo não exterminou Lula e o PT, apenas obteve uma vitória eleitoral num processo manchado pela manipulação e pela vilania. 

*Fonte: Carta Maior 

Créditos da foto: Vermelho.org

Edição e grifos deste Blog

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eleições em Santiago/RS - Uma primeira avaliação da conjuntura pós-eleitoral, das dificuldades e reveses sofridos pelo PT e setores progressistas



Crítica & Autocrítica - nº 109

Companheiros e Companheiras, primeiramente, Fora Temer!

Em segundo lugar, em relação ao resultado das eleições em Santiago, em que pese não apresentar grande surpresa no tocante a manutenção da hegemonia do PP (a propósito, os setores verdadeiramente progressistas e de esquerda da sociedade devem debruçar-se com afinco para fazer o devido balanço, a necessária autocrítica, apreender com os erros e buscar, a médio prazo, construir as condições de colocar-se como real alternativa de poder e desbancar de vez essa oligarquia direitosa terrunha comandada por seus caciques carimbados, a maioria ainda ligados ao arcaico latifúndio),  acabou sendo ainda pior do que os mais pessimistas imaginavam. Teremos a continuidade de uma administração com viés ideológico claramente conservador e clientelista, que usa e abusa da máquina pública, devidamente respaldados por uma bancada de vereadores pepistas igualmente conservadora, por óbvio - agora ainda mais numerosa.

Então, não é exagero afirmar que ocorreu em Santiago, guardadas as proporções,  uma das a máximas contida na Lei de Murphy: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível." Lamentável.

Com todo o respeito merecido, as duas candidaturas  que acabaram polarizando a disputa para o Executivo (Tiago, pelo PP/PTB e Guilherme, pelo PSD/PMDB/PSDB/Rede/PPS/PDT...), na essência, pela base social e interesses que representavam,  não eram muito diferentes.  A única alternativa verdadeiramente popular e de esquerda que foi ofertada aos eleitores para o Executivo, a candidatura do PT, representada por Bueno e Cláudio Freitas, não conseguiu ampliar com outros partidos tidos como democráticos e progressistas (PDT e PPL), como ocorreu nas eleições passadas, e ficou isolada.

Há que se lamentar também a postura política equivocada do deputado Bianchini, liderança maior do PPL, que optou pelo ‘murismo’ ao invés de somar-se com a oposição popular de esquerda, à exemplo do que corretamente tinha feito nas eleições municipais passadas. O resultado do isolamento do PT, somado ao quadro conjuntural adverso nacionalmente ao partido e  à esquerda (o terrorismo midiático contra o Partido dos Trabalhadores, em especial contra o ex-presidente Lula e contra a presidenta Dilma, as ações seletivas do MPF, do Judiciário e da PF unicamente contra suas lideranças, a criminalização e judicialização da política...) aumentou a abstenção, o voto nulo e branco e prejudicou ainda mais  o desempenho da legenda, que acabou não conseguindo inclusive manter sua representação da Câmara dos Vereadores.

A propósito disso, encaminhei a seguinte mensagem à companheira e colega advogada Adriana Castiel,  Secretária Geral do PT Santiaguense, que postou uma corajosa e lúcida mensagem em seu face. Assim foi minha mensagem:

“Prezada companheira Adriana, parabéns pela garra, coerência e postura. Transmita minha solidariedade à vereadora Iara, ao vereador Sérgio Marion e à tod@s @s demais comp@s candidatos(as) petistas (ao Executivo e Legislativo) que tiveram a coragem e a dignidade de concorrer nestas eleições, ainda mais neste momento difícil que passa o país e nossa frágil democracia e em que nosso partido é alvo dos mais sórdidos ataques e mentiras, de uma campanha midiática/jurídica/política seletiva golpista e criminosa visando nossa destruição. (...)

Quanto à perda das cadeiras no parlamento santiaguense, é sem dúvida um baque muito grande, mas não fatal; devemos tomar como aprendizado e voltar a priorizarmos o trabalho de base, de formação política, nossa atuação nos movimentos sociais, nos sindicatos, nas associações de moradores, nas escolas, recuperando ainda a histórica e salutar prática da militância nos núcleos de base,  e  - sobretudo - voltar a " Agir como o PT Agia".

Eles (os inimigos de classe e seus marionetes na mídia) já tentaram nos destruir no passado e não conseguiram, nos recuperamos e, como a Ave Fênix, ressurgimos - e vamos fazer isso novamente."

Vamos nos reorganizar e reconstruir nosso Partido para podermos dar continuidade à luta - e avançarmos!!!  O povo trabalhador e a juventude santiaguense em breve dar-se-á conta  do que está em jogo, de quem é quem na política local e dos interesses que se escondem por detrás das aparências  - e em quem podem realmente confiar!

-Resistir e reorganizar-se para avançar!   "Ousar lutar, ousar vencer!"  - Esmorecer e retroceder, jamais!

*Por Júlio C. S. Garcia - Advogado, fundador do PT, midioativista (especialmente para o Blog 'O Boqueirão Online').

‘Esquerda deve se unir em Porto Alegre por voto nulo no 2º turno’, diz cientista política

Céli Pinto e Benedito Tadeu comentaram o resultado das eleições municipais |
 Foto: Reprodução

Por Marco Weissheimer, no Sul21*
Diante do resultado da eleição em Porto Alegre, só resta à esquerda se unir e lançar uma campanha para garantir que o segundo turno da disputa na Capital tenha pelo menos 30% de votos nulos. A afirmação é da cientista política Céli Pinto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que participou de um debate sobre o resultado da eleição municipal, domingo à noite, na TV Sul21. Conduzido pelo cientista político Benedito Tadeu César, o debate avaliou o resultado da eleição na capital gaúcha e nas principais cidades do país.
Para Céli Pinto, a expressiva vitória da direita pelo país é resultado, em primeiro lugar, da campanha sistemática de desqualificação promovida contra o PT nos últimos meses. “Assistimos a uma campanha nacional diuturna patrocinada pela mídia e pela Operação Lava Jato que se dedicou essencialmente a bater em políticos do PT. O resultado dessa eleição expressa a vitória de uma política conservadora de direita, articulada com a mídia, com a Polícia Federal e com o Judiciário. Foi uma coisa muito terrível de se ver”.
Em segundo lugar, a cientista política destaca como o PSDB aproveitou a atual conjuntura política para se colocar por fora da disputa entre PT e PMDB. “Começaram a bater no Temer e o PSDB correu por fora. Tinha duas vantagens para fazer esse movimento: não é governo e tem muito dinheiro. O PSDB fez uma campanha riquíssima. As campanhas em São Paulo e em Porto Alegre, por exemplo, foram milionárias”.
Benedito Tadeu César concordou com essa avaliação, assinalando que o candidato do PSDB acabou correndo solto durante quase toda a campanha do primeiro turno em Porto Alegre, enquanto os candidatos Sebastião Melo e Raul Pont se enfrentavam na maioria dos debates. Quando Marchezan Jr. começou a crescer nas pesquisas, acrescentou Céli Pinto, o conservadorismo de Porto Alegre decidiu despejar votos na sua candidatura para impedir que o candidato do PT chegasse ao segundo turno contra Sebastião Melo. “O resultado de todo esse processo é um segundo turno inédito em Porto Alegre e em boa parte do Brasil. Teremos muitos segundos turnos com o mesmo lado da política. Essas eleições não foram uma festa da democracia, pois um dos lados foi massacrado. Isso representa uma ameaça à própria democracia”, advertiu a professora da UFRGS. (...)
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Com o Blog do Júlio Garcia

sábado, 1 de outubro de 2016

EM SANTIAGO, PARA QUE OCORRA A 'MUDANÇA DE VERDADE', VOTE BUENO E CLÁUDIO FREITAS 13! VOTE PT!





O Partido dos Trabalhadores - PT de Santiago concorre com Antôno Bueno e Cláudio Freitas - 13 para o Executivo Municipal com o lema "Mudança de Verdade".

-Importantíssimo:

Para a Câmara de Vereadores de Santiago, escolha um dos(as) candidatos(as) na lista abaixo e vote certo - também para a vereança - em 2 de outubro:

Chico Matos nº 13220

Clair Pereira nº 13603

Iara Castiel* nº 13130

José Airton Clerice nº 13444

José Luiz  'Toti' Bueno nº 13007

Luciano Garcia nº 13111

Marina Bastos nº 13610

Sérgio Marion* nº 13607

Sérgio Tusi nº 13013

*Atuais vereadores que concorrem à reeleição.
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**Em Santiago, dia 02 de Outubro,  vote 13 - Vote PT - "Para Mudar de Verdade'!

#FORA TEMER!