quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mari Perusso foi palestrante no 'Tá na Mesa'


Casa Civil esclarece processo de liberação do projeto Cais Mauá na Federasul

Porto Alegre/RS - A chefe adjunta da Casa Civil, Mari Perusso, participou nesta quarta-feira (13), como palestrante do "Tá na Mesa", almoço organizado pela Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). Na pauta do evento, o projeto de revitalização do Cais Mauá. Também participaram, como palestrantes, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner (autor do projeto) e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.

Mari Perusso (à direita da foto) esclareceu todos os caminhos que estão sendo percorridos pela gestão Tarso a fim de viabilizar a liberação da área portuária por parte da União. "O Governo do Estado está empenhado em conseguir as liberações necessárias para a concretização deste projeto. Até o final deste mês, acontecerá uma reunião na câmara de conciliação da Advocacia-Geral da União (AGU) para homologar o acordo entre o Estado e a União".

Mari explicou que os termos estabelecidos no acordo prevêem o repasse da integralidade dos recursos advindos da locação da área do Cais Mauá para a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) e a realocação dos equipamentos portuários pelo consórcio empreendedor do projeto.

O prefeito José Fortunati garantiu que, assim que a área for liberada pela União, a Prefeitura dará o encaminhamento mais ágil possível às licenças necessárias para o início das obras. O arquiteto Jaime Lerner fez uma explanação sobre os principais pontos do projeto e disse que a primeira etapa da obra consistirá na recuperação dos armazéns portuários.

http://www.estado.rs.gov.br/

domingo, 10 de julho de 2011

Sobre as acusações contra o ex-ministro José Dirceu


Crítica & Autocrítica - nº 77

* José Dirceu,  ex-ministro do governo Lula, ex-deputado federal, foi também fundador e Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores. É advogado e consultor. Integra a  Direção Nacional do PT. Foi líder estudantil,  preso político nos 'anos de chumbo' e esteve exilado pela ditadura militar. Retornou clandestinamente ao Brasil e continuou a luta pelas liberdades democráticas. É um dos denunciados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que  enviou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais da Procuradoria com pedido de condenação de 36 dos 38 da ação penal 447, chamada pela mídia de “mensalão. Em sua defesa, diz o ex-ministro em relação às denúncias realizadas pelo procurador-geral:

"Suas acusações contra mim não trazem qualquer prova material ou testemunhal. São meras ilações extraídas de sua interpretação peculiar sobre minha biografia.

A vocês que acompanham minha trajetória de 46 anos dedicados à construção de um Brasil mais justo, democrático e forte, gostaria de dizer que estou tranquilo. Continuarei me defendendo, ainda com mais ânimo e dedicação. Não o faço apenas para demonstrar minha inocência, submetido à agressão constitucional de inversão do ônus da prova, graças à fusão de interesses conservadores. Lutarei com ainda mais energia, porque o que está em jogo, acima da minha honra e liberdade, é a imagem do Partido dos Trabalhadores e do projeto de transformação social que representa.

Este momento não difere de outros em minha vida. Já fui banido pela ditadura militar, quando perdi minha nacionalidade, fui cassado e tive os meus direitos políticos suspensos por 10 anos em 1969. Em 2005, a Câmara dos Deputados me cassou o mandato de deputado federal, que obtive com o voto de mais de 556 mil paulistas. A decisão foi tomada sem provas, num fato inédito na história do país.

Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF, corte que, confio, julgará a ação com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim.

Aproveito para agradecer as manifestações de apoio que tenho diariamente recebido de amigos, militantes, apoiadores ou, simplesmente, de brasileiros que não concordam com o achincalhamento público que tenho sofrido nos últimos seis anos.
...

* O sítio Nova Pauta, em postagem assinada pelo jornalista João Lemes, transcreveu parte da postagem que realizei em meu blog, onde repostei artigo assinado por José Dirceu (foto acima). Na mesma postagem, Lemes  ironiza as colocações do ex-ministro chefe da Casa Civil do Presidente Lula e  ataca o STF, questionando a eficácia do mesmo, citando também os petistas e este blogueiro - que entendem que se deve, no mínimo, conceder o benefício da dúvida à quem é acusado, como ocorre com o companheiro Zé Dirceu e outros petistas, acusados  sem provas, diga-se de passagem.
...
* Questionado que fui, respondi ao Nova Pauta que, democraticamente, postou meu comentário, cuja íntegra publico à seguir:
'Prezado João, o companheiro Zé Dirceu tem uma história política marcada pelo patriotismo e coragem que a direita, os saudosos da ditadura e a mídia conservadora, mesmo tentando de todas as formas, não conseguirão jamais aniquilar. Ele alega ser inocente e, até prova em contrário, o é. O ônus da prova é de quem acusa. Ele diz, alto e bom som: "Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF, corte que, confio, julgará a ação com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim."  Sinceramente, não tenho nenhum motivo para desacreditar dele. Eu torço por ele, em respeito a sua biografia, pelo seu passado e pelo seu presente de lutas, e espero que esse processo seja concluído sem mais demora e que a verdade e a justiça se imponham, finalmente.'

*Por Júlio Garcia, especial para 'O Boqueirão'


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Velha mídia: O último escândalo do News of the World

Jornal de Murdoch escandaliza o mundo
                                                          
                                                                 José Dirceu*  escreve:
.
Image

Vários ingredientes levam a crer que estamos tratando de um romance policial de qualidade duvidosa: grampos ilegais, propinas a policiais, invasão à caixa de mensagens telefônica de uma menina de 12 anos que já havia sido seqüestrada e morta. Entretanto, o caso é real. Ele envolve o magnata Rudolph Murdoch e seu monopólio midiático.

O tablóide mais lido na Inglaterra, News of the World, com uma circulação diária de 2,8 milhões de exemplares, que fez sua história explorando o escândalo alheio, ganhou hoje as páginas dos principais jornais europeus com um escândalo em que seus próprios jornalistas e executivos são os protagonistas. O jornal, do grupo de Murdoch, agora é alvo de uma investigação por parte da Scotland Yard.

Entre os delitos cometidos, o que mais indignou a população foi o fato de o News of the World ter sido o responsável por mensagens apagadas da caixa postal do celular da menina Milly Downer, desaparecida em 2002, e encontrada, mais tarde, assassinada. O ato foi promovido para que novas mensagens pudessem entrar na caixa postal hackeada e, assim, serem monitoradas. No entanto, a movimentação na caixa postal da criança assassinada levou a família a crer que ela ainda estaria viva.

Lista iclui parlamentares

Na vil lista de violações de privacidade, foram vítimas, ainda, membros da família real, congressistas, ex-combatentes do Afeganistão e vítimas da série de atentados no Reino Unido em julho de 2005.

O jornal espanhol El País, hoje, ressalta que o escândalo não é apenas uma crise mediática, mas também uma crise política de grande proporções. “Alguns parlamentares ensaiaram ontem seu mea culpa em um debate na Casa dos Comuns, em que muitos deles felicitaram o diário The Guardian e aos deputados trabalhistas Chris Bryant e Tom Watson por sua insistência em denunciar o que, para a maioria, não passava de uma teoria conspirativa”, publicou o periódico espanhol.
...
Práticas aéticas do tablóide eram conhecidas

Magnata da mídia tinha participação política ativa... A respeito do escândalo do tablóide inglês sensacionalista News of the World, de acordo com o El País, a sua prática de “ética escassa” , que lançava corriqueiramente de grampos telefônicos era conhecida pelas autoridades desde 2003, a partir de denúncias feitas pela deputada Rebekah Brooks – à época, Rebekan Wade – ex-executiva do grupo News Corporation, ao qual o The News of the World pertence.

A Scotland Yard já admite que alguns policiais receberam "pagamentos inapropriados" do periódico. A crise que eclodiu com as denúncias contra o The News of the World está pesando para Murdoch. O magnata é conhecido por sua participação ativa na política local, por meio de seus jornais. O trabalhista Neil Kinnock credita ao empresário a sua derrota nas eleições de 1992. No dia do pleito, um de seus jornais, The Sun, fez o pedido na primeira para que, em caso de Kinnock ganhar, a última pessoa que deixasse a Grã Bretanha "apagasse as luzes".

As investigações da Scotland Yard coincidem com o momento em que o grupo de Murdoch tenta comprar o canal de TV paga britânico BSkyB por aproximadamente US$ 14 bilhões. A repercussão também está tendo impacto junto aos patrocinadores. Várias empresas como a cooperativa Co-op, Ford, Vauxhall, Mitsubishi, o banco Lloyds e o Virgin Holidays já anunciaram que suspenderão suas campanhas no jornal.

Aqui, no Brasil...


O caso do tablóide de Murdoch suscita, aqui, no Brasil, algumas considerações. Tanto cá, como lá, há jornais e jornalistas que invadem impunemente a privacidade. E o acesso a informações protegidas por lei é feito via polícia, ou Ministério Público, apesar do segredo de justiça e do sigilo. A Globo, por ocasião da operação Satiagraha, é um exemplo local dessa mesma prática.

A pergunta que fica não é nova: até quando vamos conviver com essa ilegalidade no Brasil? Será que vamos chegar ao estágio da Grã Bretanha? Na Grã Bretanha, ao menos, a mídia assume a quem apóia politicamente. Aqui, com a maior hipocrisia, boa parte dos jornais diz-se neutro, mas faz oposição ao PT.

...
*Ex-deputado, ex-Ministro,  membro da Direção Nacional do PT, Editor do Blog do Zé Dirceu: http://www.zedirceu.com.br/

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sobre o filho do FHC ... que não é do FHC

BLOGUEIRO ABESTALHADO

Li no blog de um abestalhado que o PT aparelhou a mídia. Notem a imbecilidade do infeliz. Durante 18 anos a mídia escondeu o tal filho que FHC tivera com a jornalista Miriam Dutra, da Globo. O próprio FHC disse que confessou a sua esposa, Ruth Cardoso, que havia um filho fora do casamento; contou com medo de que esse fato atrapalhasse a sua eleição para presidente. Diz agora o blogueiro abestalhado que os petistas que "caluniaram” FHC se calam e que a mídia não dá destaque ao fato de o exame de DNA ter resultado negativo. Ora, haja paciência! Como os petistas iriam imaginar que FHC fora enganado pela jornalista? FHC assumiu a paternidade com a certeza de que o filho era dele, como a jornalista afirmava.
Virou a tal história que o corno é sempre o último a saber. Agora ficou ruim para a mídia, que escondeu essa tragicomédia por 18 anos para proteger FHC, ficar noticiando que ele é um corno da amante. Aliás, não foi somente a Globo que a escondeu. A informação sobre o filho de FHC circulou por todas as redações naquele período, mas ninguém da mídia teve a coragem de divulgar a notícia. Era assunto proibido nas redações dos jornalões e revistas. Diziam que era assunto pessoal.
A mídia vai esquecer esse assunto e vai continuar a proteger FHC e o PSDB. Os petistas não caluniaram FHC, ele mesmo assumiu essa paternidade. Como FHC, os petistas foram enganados, foram os últimos a saber que o filho de FHC não era dele. Agora caberia à jornalista Miriam Dutra dizer quem é o pai biológico do rapaz, se é que ela sabe. Esse é o tipo de situação que quanto mais mexe mais fede. Será que esse blogueiro abestalhado entendeu ou vou ter que desenhar? (Jussara Seixas, via Blog da Dilma)

http://dilma13.blogspot.com/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Se eu fosse Prefeito de Santiago, jamais iria gastar em asfalto...

Entrevista com o professor João Serafim Tusi

"Sei que o Prefeito Ruivo vai investir uma boa soma no asfaltamento de algumas vias. E sei, também, que ele vai fazer isso porque conseguiu financiamento. Porém, na minha concepção, se eu fosse Prefeito de Santiago, jamais iria gastar nenhum centavo em asfaltar nada. Pra quê? Pras caminhonetes e carrões dos que contribuem pouquíssimo com o desenvolvimento de Santiago transitar? E o que é pior. Pra reduzir a absorção natural das águas pelo solo e, eventualmente, submeter as partes mais baixas a um dia serem inundadas?"

Reproduzimos, a seguir, pela relevância, a entrevista concedida ao Blog do Júlio Prates pelo professor  João Serafim Tusi (foto). O mesmo  é santiaguense, possui graduação em Economia pela UFSM (1972) e mestrado (1976) e doutorado (2000) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi Professor do Depto. de Ciências Econômicas e do Programa de Pós-Graduação em Engª de Produção da UFSC (1975-2003).


Blog do Júlio Prates:  Professor Tusi, é possível sonharmos com a industrialização de Santiago ou estamos fadados ao insucesso pela geopolítica, nossa tradição e nossa falta de infra-estrutura?


João Serafim  Tusi: O sonho da industrialização em Santiago ainda não se realizou por esses motivos que você mencionou, e muitos outros.

Para mim, os principais motivos decorrem do fato do meio empresarial, historicamente, estar excessivamente arraigado a entregar seus produtos “in natura” e a ser demasiadamente individualista e fechado. E, ainda mais, a confundir o seu progresso pessoal/familiar, com o local/regional.

Quanto ao primeiro aspecto, de nada adianta para o desenvolvimento do município contar com criadores/plantadores que detêm muitas quadras de campo. Eles só criam/plantam e vendem tudo em pé e em grãos (in natura), respectivamente, empregando reduzidíssima mão de obra, com salários irrisórios e, quem sabe até, sem carteira assinada (o que, em alguns casos, até poder-se-ia enquadrar como mão de obra escrava). Além disso, a quase totalidade da parcela própria da renda desses ex-latifundiários, não é reinvestida de forma multiplicadora na economia local/regional. E se dilui em carros/caminhonetes, em casas, em custeio dos estudos dos filhos na UFSM (e não na URI/Santiago), em compras e passeios em outras cidades, e etc. e tal.

Os empregos gerados pelas concessionárias de veículos, comércio em geral, prestação de serviços etc. e etc., por conta dessa renda diluída na economia local/regional, são insuficientes para atender à demanda por novos postos de trabalho, principalmente à relacionada à massa adolescente e jovem. A população total vem diminuindo, marcadamente desde 2000, especialmente a rural, com intensidade cerca de 15% maior do que a respectiva involução média estadual. A Análise Situacional que realizamos na URI/Santiago revelou uma conjuntura sócio-econômica preocupadamente introvertida, com perigosas involuções localizadas em áreas e setores vitais para o desenvolvimento local e regional.

Com um cenário desses, você acha que algum empresário de fora teria interesse em investir aqui? Para mim, este é outro ingrediente no cardápio da explicação do porque Santiago não consegue atrair indústrias e negócios sustentáveis.

Já, quanto ao individualismo, vinculo isso à dificuldade histórica do empresariado local em empreender conjuntamente. Lembro-me de que, há quase 40 anos, quando estava concluindo o curso de economia na UFSM, elaboramos o projeto de um frigorífico para Santiago e região. Eu, daqui de Stgo, mais um colega da Agronomia (de Jaguari) e outro da Engenharia. Viemos pra cá e apresentâ-mo-lo na Cooperativa Rural. Todos os presentes aprovaram. Sobre a constituição do capital, não saiu, dessa reunião, nenhum consenso. Um fazendeiro GRANDE, na época, do qual não me recordo o nome, e alguns pequenos grupos, bem afinados, concordaram em aportar SOZINHOS todos os recursos financeiros, desde que fossem DONOS do frigorífico. Mas, o GRANDE, queria ser DONO sozinho. E, até hoje, Santiago continua sem o seu frigorífico. E, até hoje, ainda existem os que se acham DONOS de Santiago. E, os que têm certeza de que são DONOS.

E, é por aí que qualquer estudo sobre as origens da involução sócio-econômica e política de Santiago deveria perpassar, obrigatoriamente, na investigação científica desse fenômeno. Isso daria uma bela pesquisa, inclusive de Doutorado.

Outro aspecto refere-se ao fato de que a era do desenvolvimento, via industrialização, já passou, principalmente por intermédio dos projetos provocadores de impactos nocivos ao meio ambiente natural/físico e social. Esse foi o tempo do desenvolvimento de cima para baixo, onde os projetos eram empurrados "goela abaixo" das comunidades, sem nenhum pudor, como aconteceu no ABC paulista, e em muitos outros lugares.


JP: Que projetos, na sua opinião, deveriam ser priorizados em Santiago para viabilizarmos as pequenas e médias estruturas familiares?


JST: Em primeiro lugar, a viabilização de pequenas e médias estruturas familiares só acontece com o concurso das grandes, e vice-versa.

E o não atendimento disso pode explicar, em grande parte, a falência do tecido social e econômico hodierno. Qualquer atividade, seja de que natureza for, não sobrevive se não houver um crescimento conjunto, de forma compartilhada e compromissada com TODOS os seus membros. Toda a vez em que nas organizações existam “donos” e integrantes “bons” e “maus”, é porque elas se distanciaram dessa estratégia de crescimento.

Sei que o Prefeito Ruivo vai investir uma boa soma no asfaltamento de algumas vias. E sei, também, que ele vai fazer isso porque conseguiu financiamento. Porém, na minha concepção, se eu fosse Prefeito de Santiago, jamais iria gastar nenhum centavo em asfaltar nada. Pra quê? Pras caminhonetes e carrões dos que contribuem pouquíssimo com o desenvolvimento de Santiago transitar? e o que é pior. Pra reduzir a absorção natural das águas pelo solo e, eventualmente, submeter as partes mais baixas a um dia serem inundadas?

Com a metade desse recurso (dinheiro), poder-se-ia constituir muitas turmas de manutenção intermitente de conservação do calçamento histórico existente. E, ainda, construir duas unidades de processamento, uma de abate de peixes e outra de processamento de frutas. Inclusive, esta última, habilitada a receber a produção de TODOS os produtores e não só a dos GRANDES, a processar e exportar suco concentrado pros EUA, através do futuro Aeroporto de Santiago.

E, a primeira, a habilitar, principalmente as mulheres trabalhadoras rurais a extraírem o couro do peixe, sem estriá-lo, com uma maquininha construída por um inventor de Santa Maria; a curtirem-no (sem cromo); a embalarem-no, caseiramente, em volumes de um kg. E, depois, a venderem-no a R$200 a R$400 o quilo, conforme a espécie de peixe. O mercado comprador é voraz. E está aqui bem perto (SC, PR e SP).

Aqui é que entra a vontade e a atitude política. A articulação da Prefeitura Municipal, Sebrae, Emater, Centro Comercial, URI, etc. e etc. para fazer acontecer. Capacitar produtores. Garantir qualidade e certificação para os produtos. Encontrar e garantir mercados. E muitas outras coisas. Isto é, resumidamente, o que se faz numa incubadora dentro da Universidade. Mas, não a Universidade sozinha. E em SC já fizemos muito disso, e sempre deu certo. Mas aqui tudo é difícil, mais complicado, não é?

E pra isso acontecer, só com um pacto que coloque essa missão acima dos partidos políticos, acima dos caprichos e orgulhos familiares, acima dos desejos de manter os CABRESTOS, acima das manias de ser dono(a), de relutar em libertar as comunidades, etc. e etc.

Com relação aos tipos de projetos que deveriam ser priorizados, além dos dois exemplos que já mencionei, entendo que eles deveriam ser focados em vocações municipais/regionais novas, contando com o apoio da agropecuária tradicional que precisa ter alternativas para se defender dos, pelo menos, últimos 13 anos nos quais vem apanhando de toalha molhada. Elas são: “Agronegócio com agroindústrias e integração de cadeias produtivas, com ênfase em setores alternativo-potenciais (fruticultura, hortifrutigrangeiros, plantas medicinais, mel, piscicultura e aquicultura, florestamento, ovinocultura confinada, leite, etc.), turismo (rural, ecológico e balneário) e prestação de serviços” (Planejamento Estratégico Corede Vale do Jaguari, 2010, p.33).

Essa integração (consorciamento) produtivo a que eu me refiro diz respeito apenas à PEQUENA propriedade constituída pela agricultura familiar. Poder-se-ia começar com a piscicultura associada com a fruticultura fertiirrigada, a ovinocultura e a pecuária leiteira confinadas. Mas isso a gente conversa mais tarde.

Também, recomendaria que se priorizassem os empreendimentos coletivos, ao invés dos exclusivamente individuais. Porém, chamo a atenção de que a demaragem daqueles empreendimentos depende muito da alavancagem e apoio comandados pelas autoridades constituídas e de técnicos competentes, num esforço conjugado, integrado, compartilhado, comunitário, democrático, participativo e libertador. E esses esforços devem concorrer para extinguir, gradativamente, quaisquer ranços de dependência espoliativa, e de cabrestagem, que minam os esforços da capacidade criativa e inovativa do capital humano e social, que até hoje, por aqui, esteve completamente abandonado e ridicularizado à sua sorte.

Assim, dever-se-ia, em primeiro plano, atuar na sensibilização dos atores sociais para se engajarem na busca compartilhada de soluções domésticas (endógenas) sustentáveis para os problemas das comunidades, ao invés de continuarem demasiadamente esperando que as soluções venham fora, de agentes exógenos (dos governos estaduais e nacionais, de empresários que se instalariam aqui com suas empresas, etc. e de outras origens mais).

Hoje, as municipalidades mais adiantadas, estão assumindo posturas de desenvolvimento endógeno (de dentro pra fora, de baixo pra cima). Neste ponto, discordo do meu amigo, grande pesquisador e professor, Rogério Anése, quando aventa a possibilidade de Santa Maria mudar seu perfil de cidade “vendedora” para cidade “compradora” dos produtos da região (Jornal A FOLHA, Santiago, 1º/07/2011, p.10). Não. Não é nada disso. Temos é de capacitar o nosso povinho próprio para produzir e ajudá-los a encontrar compradores além fronteiras santiaguenses/santamarienses/riograndinas.

Veja só o que acontece aqui em Santiago. Os empreendimentos individuais, não raro, são instalados e encerrados, com uma velocidade incrível. É triste. Por quê ?

Porque são exageradamente locais/regionais. De que adianta abrir mais uma farmácia, mais uma padaria, mais um salão de beleza, mais uma oficina mecânica, e etc. e etc., se tudo continua dependendo de consumidores locais empobrecidos. Isso não é “geração de renda”. É “giração de renda”. A geração de renda sustentável só se verifica quando a renda vem de fora. DE FORA. E não dos consumidores locais, das unidades militares, do repasse do ICMS, etc. e etc.

A circunstância há pouco ensaiada, jamais aconteceria em um empreendimento coletivo em que existisse a interação agricultura/indústria, campo/cidade, e no qual se vendesse/exportasse a maioria da produção para além fronteiras com o auxílio de redes sociais, por exemplo. E, nessas condições, os empreendimentos coletivos assim constituídos deteriam, com certeza, economias de aglomeração e de escala, como, tenho certeza, concordaria comigo o Anése.


JP: Professor, se temos matéria-prima local, carne, lã, couro, grãos, o que falta para rompermos nosso isolamento?


JST: O que falta é vontade/decisão política libertadora.

Não falta dinheiro/fontes/financiamento, nem falta competência técnica pra elaborar/executar projetos e etc. e tal.

O que dificulta são as arrogâncias orgulhosas e posturas ultrapassadas, na sua maior parte oriunda de famílias QUE SE ACHAM DONAS de Santiago, conforme já explanei. São as articulações (principalmente partidárias) conduzidas mesquinhamente. A teimosia de continuidade de uma exploração agropecuária não agregativa de renda nenhuma, FALIDA, que só beneficia os escassos proprietários, EX-LATIFUNDIÁRIOS, ainda remanescentes, por enquanto. Que só se preocupam em rolar suas dívidas, que são enormes. A minha impressão é de que se todos eles pagassem o que devem aqui em Santiago, não iria sobrar nem uma caminhonetazinha, nem uma casinha. Provem-me o contrário. Gostaria muito de estar errado. Ah ! como eu gostaria de estar completamente equivocado !

Ainda, adiciono que, para mim, os ex-latifundiários, os ainda PODEROSOS como falam aqui em Santiago, estão cometendo um erro histórico. Eles confundem progresso próprio de suas famílias, com o progresso local/regional.

De que adianta você, na sua casa, na sua fazenda/granja/empresa estar cercado de capachos e de debilóides, de gente que só sabe ser mandada e humilhada ?

O bom é estar envolto por PARCEIROS, por colaboradores satisfeitos, criativos, que se sintam EMPODEIRADOS nos desígnios da NOSSA/NOSSO empresa/negócio, seja de que natureza for.

E, aqui em Santiago, eu percebo que esta postura está muito distante de ocorrer. Enquanto o(a)s DONO(A)S de Santiago não se aperceberem que têm responsabilidades com o desenvolvimento local/regional, além da sua própria sobrevivência econômica e social, nada dará resultado.

De nada vão adiantar programas, projetos, etc. de fonte nenhuma. ISTO É MUITO SÉRIO.

Enquanto esta MENTALIDADE que grassa por aqui não mudar, podemos conseguir milhões de dólares de fora. Mas, de nada vão adiantar. Já assisti a este filme em muitos outros lugares. No Brasil. E no mundo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Vale do Jaguari definiu dez áreas prioritárias no PPA Participativo



 Resultados do PPA Participativo realizado em Santiago/RS


Santiago/RS - A audiência pública promovida pelo Governo do Estado em Santiago no último 1º de julho definiu as áreas prioritárias para os municípios do Corede Vale do Jaguari.

Segundo o coordenador regional Erotides Lima Cruz (Tide Lima), a maioria dos que se manifestaram no evento defendeu que o PPA Participativo (Plano Plurianual) dê mais destaque para: Desenvolvimento e Promoção do Investimento; Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico; Agricultura, Pecuária e Agronegócio; Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo; Micro e Pequenas Empresas e Economia Solidária; Educação; Saúde; Esporte e Lazer; Habitação e Saneamento; e à Segurança Pública.

Agora, cada município deverá fazer a sua assembleia e especificar onde quer que os recursos sejam aplicados. Conforme o número de participantes, serão escolhidos os delegados que representarão sua comunidade na assembleia macrorregional, onde haverá a defesa e votação das demandas municipais. A municipal de Santiago será no dia 7 de julho.

Fonte: sítio do PT/Santiago

Petrobras investe no RS

Petrobras adquire usina em Passo Fundo e estuda novos investimentos no RS

A Petrobras Biocombustíveis adquiriu 50% da usina BSBIOS Indústria e Comércio de Biodiesel Sul Brasil, de Passo Fundo, na região da Produção, investindo R$ 200 milhões. A informação foi passada pelo presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rosseto, ao governador Tarso Genro na manhã desta segunda-feira (5), durante café da manhã, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Com a nova unidade, as empresas passam a compartilhar a operação de um complexo industrial com capacidade produtiva total de 300 milhões de litros/ano de biodiesel. A parceria ampliará as possibilidades de investimentos na produção de biodiesel e etanol na região Sul.

"Este investimento já é produto daquilo que afirmamos desde o início do governo, uma nova presença política institucional e econômico-financeira do Estado na relação com o Governo Federal e com o mundo. Esta nova postura do Rio Grande do Sul com a União, uma relação mais política, técnica e econômica é que tem produzido investimentos como estes", destacou o governador Tarso Genro, elogiando o trabalho desenvolvido pessoalmente pelo presidente Miguel Rosseto, para a viabilização de investimentos no Estado.

A negociação se estendeu durante as últimas semanas e foi finalizada na semana passada. A unidade gaúcha, que terá gestão compartilhada, tem capacidade de produzir 160 milhões de litros de biodiesel /ano e unidade de extração de óleos vegetais, é a segunda parceria dos empreendedores. As duas empresas já operam, em parceria, a usina de biodiesel em Marialva (PR).

O empreendimento gaúcho entrou em operação em 2007 e gera 289 postos de trabalho diretos e mais de 800 indiretos. A usina também gera trabalho e renda a dez mil agricultores familiares, produtores de soja e canola nos estados de Rio Grande do Sul e Passo Fundo. Na unidade também deverá ser produzido o biolubrificante, a base de óleo de canola e de linhaça.

Agricultura familiar

"A atuação na região Sul é estratégica para Petrobrás Biocombustíveis, pela grande produção de oleaginosas, com presença significativa da agricultura familiar, e permitir uma logística mais eficiente no atendimento aos mercados do Sul e Sudeste do país", explicou o presidente da Petrobras Biocombustíveis. Miguel Rosseto destacou que a presença no Rio Grande do Sul faz parte de uma estratégia de nacionalização da produção. "O investimento de R$ 200 milhões no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, compõe a compra, a assunção de financiamentos, investimentos na melhoria operacional e estamos analisando novos investimentos em biodiesel e etanol do Estado, como outros produtos renováveis a partir desta empresa", explicou Miguel Rosseto.

A empresa estatal, conforme Rosseto, opera em cinco usinas: duas no Nordeste, uma no norte de Minas Gerais, uma no Paraná - em parceria com a BSBIOS - e agora a unidade de Passo Fundo. "Com este parque fabril passamos a um total de produção de 710 milhões de litros de biodiesel/ano", disse. O presidente da Petrobrás Biodiesel informou que o consumo de etanol cresce cerca de 10% ao ano no país.

 "O investimento da Petrobrás Biocombustíveis é importantíssimo para o Estado. Trata-se do início de um futuro muito grande que a empresa deverá ter no Rio Grande do Sul. Isoladamente já é uma grande conquista, mas deverá desencadear novos investimento", comemorou o secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik.
Texto: Paulo Ricardo Fontoura
Foto: Caco Argemi
Edição: Redação da Secom (51)3210-4305 - http://www.estado.rs.gov.br/

Edição final e grifos deste blog