domingo, 1 de fevereiro de 2026

‘Falta um protocolo sobre gesto de socorro para mulheres vítimas de violência’, afirma ativista

Silvana Conti, membro da diretoria da União Brasileira de Mulheres (UBM), afirma que faltam políticas públicas para disseminação do sinal

Imagem ilustra o início do gesto por ajuda. Em seguida, deve-se cobrir o polegar com os demais dedos Foto: Luís André/Secom

Por Felipe Prestes*

Um gesto simples pode salvar vidas. Abrir a palma da mão, dobrar o polegar e depois baixar os outros dedos, cobrindo o polegar, é uma maneira silenciosa de uma mulher demonstrar que é vítima de violência sem chamar atenção do agressor. Nesta terça-feira (27), em Bom Princípio, no Vale do Caí, policiais reconheceram o gesto e prenderam em flagrante o agressor de uma mulher de 35 anos. 

“Em um momento extremo, de desespero, a mulher precisa ter essa rapidez, essa agilidade de demonstrar de maneira silenciosa que ela sofre essa violência”, explica Silvana Conti, integrante da diretoria nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM). 

O gesto surgiu em 2020, no Canadá, após o aumento de casos de violência doméstica durante o isolamento social da pandemia, e logo passou a ser reconhecido internacionalmente, sendo batizado de Signal for Help (sinal por socorro). Para a ativista, falta um protocolo para a adoção dele pelas autoridades no Brasil. “Já faz seis anos, e esse gesto ainda não é conhecido plenamente. Não tem um protocolo nacional que tenha um padrão de formação para as autoridades”, critica.

 

    Para Silvana Conti, gesto precisa ser ensinado nas escolas Foto: Divulgação

Silvana Conti afirma que também seria necessário informar amplamente como a população deve agir quando reconhece o gesto feito por uma vítima de violência “Grande parte da população, das mulheres, não conhece o gesto ou conhece pouco, mas não sabe como agir de forma segura. Se a gente está na rua, e acontece esse gesto, a gente não pode confrontar o agressor, mas sim buscar uma ajuda institucional, de forma segura. Acionar os serviços de proteção e canais oficiais de denúncia, justamente para evitar a exposição daquela mulher que está pedindo socorro”. O Disque 180 é uma central de atendimento à mulher que funciona 24 horas por dia e em todo o território nacional. 

A dirigente da UBM ressalta, ainda, que são necessárias políticas públicas sobre este gesto para além da segurança. “Todas as políticas públicas, não só de segurança pública, deveriam ter uma formação para conhecimento desse gesto, inclusive, na própria educação”, defende. 

Conti também cobra uma ação do Estado face aos 11 feminicídios já ocorridos neste ano no Rio Grande do Sul. “É super importante a gente compreender que estamos vivendo uma epidemia. A UBM considera um descaso do Estado. Essa violência brutal deve ser considerada uma violação de direitos humanos”.

*Fonte: Sul21