segunda-feira, 22 de abril de 2019

Portal O Boqueirão Online



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Coluna Crítica & Autocrítica - nº 157



Por Júlio Garcia**

*Na Edição anterior, nesta Coluna, abordamos os “100 primeiros – e nefastos – dias” do (des)governo Bolsonaro (PSL e aliados), sob a ótica da mídia internacional - que não difere muito da nossa avaliação, ou seja: sob todos os aspectos, Bolsonaro na presidência (?!!) tem sido um verdadeiro desastre! 

*Nesta Edição, trazemos uma avaliação crítica dos “100 dias” do governo gaúcho capitaneado pelo Sr. Eduardo Leite (PSDB e aliados) – avaliação esta realizada sob a ótica dos(as) professores(as), através de sua entidade máxima, o combativo CPERS (síntese da matéria de responsabilidade da jornalista Érica Aragão, do site da Central Única dos Trabalhadores): 

“Estes 100 primeiros dias ficaram muito a desejar”, afirmou a presidenta do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS-Sindicato), Helenir Aguiar Schürer. “Os professores e trabalhadores nas escolas convivem com um grande medo de perder seus postos de trabalho, assim como alunos e pais que estão com muito medo de não terem escola”. 

Segundo Helenir, na campanha eleitoral o tucano disse que ia fazer diferente do antigo governador, José Ivo Sartori (MDB), mas ele está conseguindo ser ainda pior do que o emedebista. 

“O que este governo fez de diferente nesses 100 dias do governo anterior? O governo anterior parcelou nossos salários por 37 meses, mas quase sempre pagava no último dia útil. Com Leite, já são três meses sem ninguém receber no último dia. (...) A direção do CPERS, segundo ela, já havia se reunido por duas ocasiões com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em março para tratar destes problemas. Também teve uma reunião com o próprio governador, na sede do CPERS. Mas, depois disso, não houve mais notícias de abertura das negociações. 

Na avaliação da direção do Sindicato, a “falta de planejamento da gestão atual e medidas arbitrárias tomadas pelas Coordenadorias Regionais (CREs) têm prejudicado estudantes e a qualidade do processo pedagógico em todo estado”. 

A direção do sindicato aguarda há meses uma audiência com o governador para discutir os problemas, mas não recebeu resposta até agora. “Lembro quando Eduardo Leite veio ao sindicato durante a campanha eleitoral e reafirmou sua disposição de diálogo, mas isso não se concretizou”, disse Helenir. 

Em recente ‘coletiva’ à imprensa, Leite destacou que o foco principal do seu governo nos primeiros meses e para o futuro é a “racionalização das despesas, as estratégias para alongar as dívidas e o projeto para modernizar as receitas”. Na avaliação da presidenta do CPERS-Sindicato, o que o governador disse, em resumo, é que vai arrochar e tirar direitos dos servidores para economizar, ou como ele disse para imprensa na linguagem usada pelos tucanos em todo o país, racionalizar as despesas. 

“O governo que não nos recebe é o mesmo governo que vai para mídia apresentar propostas que atacam nossos direitos”, disse Helenir. Uma delas, segundo a dirigente, é que o Estado pretende que todos os contratos sejam fechados por tempo determinado, deixando educadores e educadoras sem férias remuneradas, sem garantias de trabalho e sem salário nos meses que antecedem o início do ano letivo. 

Para piorar ainda mais a situação, nota no site do sindicato revela que há relatos de substituição de professores e professoras concursadas por contratadas, um procedimento sem qualquer respaldo técnico ou legal. Essa substituição tem um só objetivo: reduzir direitos e salários. 

“A escola pública atende mais de 80% dos estudantes do Rio Grande do Sul. Não é possível que, além de trabalhar com salários atrasados há quase 40 meses e congelado há mais de quatro anos, não tenhamos o mínimo de tranquilidade para desenvolver o processo educacional e garantir a qualidade do ensino”.
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*Arrocho salarial, falta de diálogo com o funcionalismo, autoritarismo e tentativa de privatização (a qualquer preço!) do patrimônio público dos gaúchos: síntese do governo Eduardo Leite (PSDB e aliados) que, pelo que demostrou nestes primeiros 100 dias, além de revelar-se “um governo Sartori piorado”, também não difere muito – guardadas as devidas proporções - do (des)governo Bolsonaro – aliás, seu aliado nacional. Lamentável! 
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**Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, Pós-Graduado em Direito do Estado, Consultor, Poeta e Midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. - Publicado originalmente no Jornal A Folha (do qual é Colunista) em 18/04/2019.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Lily Safra é o retrato perfeito da miséria brasileira

O retrato da nossa miséria é Lily Safra e não o catador que morreu tentando salvar um inocente fuzilado pelo Exército


Por Kiko Nogueira, DCM*

O retrato da nossa miséria é Lily Safra e não Luciano Macedo, o catador que tentou salvar a família de um músico fuzilado pelo Exército e que acabou morrendo na manhã desta quinta, dia 18.

Luciano é a riqueza de princípios, o sangue azul da nobreza moral, o luxo da abnegação, a opulência da bravura.

Foi baleado por soldados enquanto sua esposa implorava que fosse poupado pelos militares.

Estava internado desde o dia 7 de abril no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Os pedidos de transferência ordenados pela Justiça foram solenemente ignorados.

Levava o nome da mãe no braço, Aparecida, e deixa Daiana Horrara, grávida de cinco meses.

Fez o que tinha que ser feito, foi abatido por isso, será esquecido e ninguém dará seu nome a ruas, escolas, pontes ou viadutos.

É um exemplo de coragem a ser seguido, muito maior que o da famosa Lily Safra, muitos bilhões mais rica que Luciano, quantos milhões de nada na conta bancária.

Dona de uma fortuna avaliada em R$ 5 bilhões, Lily doou R$ 88 milhões para a Notre Dame após o incêndio.

Ex-mulher do banqueiro Edmond Safra e do dono do Ponto Frio — que se suicidou com dois tiros no peito —, amiga do príncipe Charles e de Elton John, Lily não deu um centavo para o Museu Nacional, do Rio.

Por quê?

Porque o museu não existe para Lily e sua gente, são miragens, pulgas, parte de um lugar ao qual ela não mais pertence, que ela não reconhece, invisível como Luciano.

Fitzgerald define os ricos Tom e Daisy, no “Grande Gatsby”, como “pessoas indiferentes”, que “esmagavam as coisas e as criaturas e então se refugiavam em seu dinheiro e em sua vasta futilidade”.

A “caridade” volta na forma de isenção de impostos.

O problema do Brasil é querer se enxergar em Lily enquanto os Lucianos tentam salvar nossa vida.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Caso García: Delator fez acusação “vaga” e partido culpa Ministério Público por suicídio - Correligionários do ex-presidente do Peru, que cometeu suicídio antes de ser preso por delação da Odebrecht, denunciam lawfare por parte do Ministério Público

Jornal GGN Colaborador premiado, Marcelo Odebrecht foi “vago” em depoimento aos investigadores do Peru, quando questionado sobre pagamento de propina ao ex-presidente Alan García, morto na quarta (17). O peruano cometeu suicídio quando a polícia bateu em sua porta tentando cumprir um mandado de prisão no âmbito de investigação alimentada pelas delações da Odebrecht.

Segundo a jornalista Mônica Bergamo, Marcelo Odebrecht – que conviveu com García, assim como a cúpula da família, dona da empreiteira – indicou que era possível que o ex-presidente tivesse sido beneficiado com pagamentos de propina no Peru. Mas a indicação era de ajuda em campanhas eleitorais, não roubos para proveito pessoal.
“O único benefício pessoal, ainda investigado pela procuradoria, seria o pagamento de US$ 100 mil por uma palestra que ele efetivamente deu na brasileira Fiesp. A ação foi delatada por um advogado terceirizado da Odebrecht.”
Em 2013, as contas de García foram analisadas pelas autoridades. O ex-presidente entregou aos investigadores contratos, recibos e outros documentos que atestavam a lisura de palestras e conferências que ele realizou ao redor do mundo, que justificam sua renda.
Apesar disso, o Ministério Público do Peru utilizou delações da Odebrecht para desenvolver a tese de que as palestras eram uma fraude para justificar os repasses da Odebrecht. Narrativa semelhante é usada contra Lula, que também teve as atividades de sua empresa de palestas, a LILS, criminalizada pela Lava Jato.
Congressistas do PAP (Partido Aprista Peruano) apontaram o MP como responsável pela morte de García. Os correligionários do ex-presidente denunciaram lawfare por parte da Lava Jato peruana.
Mauricio Mulder afirmou à imprensa que a tragédia é “a concretização de um mecanismo de perseguição e busca de popularidade doentia por parte de algumas pessoas que se alimentam de poder e que querem ficar na história como carcereiros”.
O ex-chanceler Luis Gonzales Posada disse que o MP agiu arbitrariamente com o pedido de prisão. “É o resultado de um pérfido, malévolo e de uma abusiva violação de um Ministério Público que pode deter quem quiser.”
“Lamento a atuação da Promotoria. Alan García sempre mostrou disposição a ser investigado”, declarou A ex-ministra do Interior Mercedes Cabanillas, que acrescentou que o pedido de prisão foi baseado em delação sem provas.
García foi presidente do Peru em dois mandatos — de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011. O Peru foi o primeiro país em que a Odebrecht se instalou quando partiu para a internacionalização.
“De acordo com pessoa próxima da empresa, Jorge Barata, que dirigiu as operações no Peru por cerca de 15 anos e foi um dos delatores, estava arrasado”, afirmou Bergamo.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Dilma: golpe de 2016 foi a porta para o desastre



Do Brasil247 - De acordo com Dilma Rousseff, o golpe que a derrubou em 2016 foi "o episódio inaugural de um processo devastador que já dura três anos. Teve, para seu desenlace e os atos subsequentes, a estratégica contribuição do sistema punitivista de justiça, a Lava Jato, que sob o argumento de alvejar a corrupção, feriu a Constituição de 1988, atingiu o Estado Democrático de Direito e impôs a justiça do inimigo como regra"; "O governo Bolsonaro está ampliando um legado de retrocessos do governo Temer", continua; "Lula sintetiza a luta pela democracia em nosso País" para enfrentar "o aparato neofascista", acrescenta.

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Coluna Crítica & Autocrítica - nº 156



Por Júlio Garcia**

*100 dias - Reproduzo, abaixo, interessante e reveladora matéria assinada pelo jornalista Olímpio Cruz, no site Viomundo - https://www.viomundo.com.br -, na verdade, uma preocupante síntese jornalística que mostra como a mídia estrangeira está “enxergando” o atual 'retrato' do povo brasileiro: “com medo, decepção, preocupação com uma possível guerra contra a Venezuela” e com “a violência e o desemprego” que campeiam no país. Traz por título “Mídia Internacional fala do desastre dos cem dias do governo Bolsonaro”

-Leiam a seguir – e tirem suas conclusões: 

“Le Monde chama Bolsonaro de “Trump dos Trópicos” em editorial, fala da perda de influência dos evangélicos e traz denúncia de líderes indígenas. Imprensa alemã diz que brasileiro envergonha o país no exterior. (...) 

Atenção à ampla cobertura sobre o Brasil no jornal francês Le Monde, que aborda o governo Bolsonaro como um problema para o país. O jornal avalia que, três meses depois de ter tomado posse, “o presidente brasileiro parece não estar tomando a medida de suas responsabilidades, abordando seu eleitorado mais radical e esquecendo o resto do país, que enfrenta desafios assustadores”. O diário francês afirma que, depois de um trimestre caótico ao leme do Brasil, Bolsonaro “entra em colapso nas pesquisas”. Diz que ele “colhe o pior desempenho no início de seu mandato, em situação pior que seus inimigos de esquerda, Lula e Dilma Rousseff”. 

Ainda no Le Monde, reportagem da correspondente Claire Gatinois informa que o lobby evangélico se sente abandonado por Bolsonaro. Católico, o chefe de estado brasileiro foi eleito graças ao apoio das igrejas pentecostais, que hoje instigam o controle militar sobre o governo. 

Outra reportagem do mesmo jornal ressalta que Bolsonaro não pretende se apresentar como chefe de Estado, pronto a unir o país. 

“Confirmando sua reputação como “Trump dos Trópicos”, ele é rápido para castigar os inimigos eternos: “o socialismo, mídia ou os direitos humanos”, defendendo os criminosos à custa dos “cidadãos de bem”. 

Em outro texto, o jornal destaca que a reforma previdenciária foi prejudicada pelos excessos de Bolsonaro. Relutantemente, ele apoia a sua política de reformas das pensões, consideradas essenciais para um país cuja dívida ultrapassa os 90% do produto interno bruto. 

Por fim, a cobertura sobre o país neste que é um dos principais jornais da França trata da denúncia de líderes indígenas brasileiros, que acusam o presidente brasileiro de promover um “apocalipse” para os povos originários do país. 

Os índios apelam: “Desde a eleição de Jair Bolsonaro, vivemos o início de um apocalipse”. 

Treze representantes de povos indígenas de diferentes nações, incluindo os da Amazônia brasileira, pedem a proteção do “sagrado” da natureza e se opõem aos projetos de Bolsonaro. 

No alemão Der Standard, reportagem fala que, depois de cem dias no governo, há “medo e desilusão” no Brasil com Bolsonaro. 

O jornal reporta que o líder brasileiro, apresentado como “um populista de direita”, anunciou que queria tornar o Brasil mais seguro e criar empregos. “Em vez disso, elogia a ditadura militar e envergonha o país no exterior”. 

O texto diz que, mesmo entre seus eleitores, a euforia há muito se transformou em desilusão profunda. A prometida recuperação econômica não veio. Em vez disso, o governo, que é dominado pelos evangélicos, militares e ultraconservadores, é mencionado por incompetência, escândalos e lutas internas pelo poder. 

Também na alemã 2DF, outro texto fala que “o presidente populista de direita do Brasil” não teve um bom começo. “Seus primeiros 100 dias foram marcados por mudanças de direção e desistências”.
A Nau, órgão da mídia suíça, aponta que os cem dias de governo Bolsonaro são marcados pela violência policial e que a destruição ambiental está em ascensão. “Milhões estão desempregados e a taxa de homicídios é alta”, destaca. 

Reportagem da AP trata dos 100 dias do governo Bolsonaro, apontando que o líder brasileiro conseguiu manter animada sua “base de extrema direita”. Desde o início do seu governo, seu mandato foi marcado por “lutas internas em sua administração”, “insultos a adversários e aliados”, “elogios à ditadura brasileira de 1964-1985” e à escassez de leis aprovadas pelo Congresso. 

O extenso material com o balanço do governo é reproduzido em mais de 5 mil sites noticiosos pelo mundo, incluindo jornais influentes como o Washington Post e Miami Herald

Em despacho, Agence France Presse reporta os primeiros meses do governo Bolsonaro destacando que “o presidente de extrema direita” alcançará na quarta a marca simbólica de cem dias à frente do Brasil, mas que parece nunca ter conhecido o estado de graça normalmente desfrutado por um recém-eleito chefe de Estado. 

“O mínimo que podemos dizer é que o começo do prazo é decepcionante”, diz Thomaz Favaro, da Control Risks.” 
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**Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, Pós-Graduado em Direito do Estado, Poeta e Midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. - Publicado originalmente no Jornal A Folha (do qual é Colunista) em 12/04/2019.