Mariana Lescano (PP) e Coronel Ustra (PL) defenderam o regime militar no plenário da Câmara
Os
partidos de oposição da Câmara Municipal de Porto Alegre anunciaram que
entrarão com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) contra os
vereadores Coronel Ustra (PL) e Mariana Lescano (PP) em razão de falas durante
a sessão plenária desta segunda-feira (31) que consideram configurar apologia à
ditadura militar.
Ustra,
que utiliza o nome de seu familiar fazendo referência ao Cel. Brilhante Ustra,
o único militar da ditadura que foi reconhecido como torturador, saudou o dia
19 de março, quando ocorreu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que
antecedeu a intervenção militar no País. Ele defendeu o período do regime
militar e a anistia aos réus do 8 de janeiro. “Se em 1964 o Brasil escolheu a
liberdade, hoje temos o dever de continuar essa luta”, afirmou.
Já
Mariana Lescano afirmou que o regime militar foi uma revolução democrática.
“Nós temos que lembrar que foi um pedido do povo brasileiro, que não queria que
o comunismo se instaurasse no Brasil”, disse. Ela afirmou ser contra o
totalitarismo e a ditadura e que, “por mim existiria a proibição de ter um
partido comunista no Brasil”. E ainda pediu por anistia aos réus do 8 de
janeiro, afirmando que hoje se vive um regime totalitário onde, “se tu pedir
voto impresso, é ato antidemocrático. Se tu criticar a suprema corte, atentado
à democracia. Se tu protestar contra o governo, é golpe de estado”.
*Com
informações da CMPA.
Os
vereadores de oposição repudiaram as falas, inclusive ainda durante a sessão,
acusando os Ustra e Lescano de fazer apologia à tortura ditatorial e apoiar o
ato antidemocrático do 8 de janeiro. Também apontaram que as manifestações
atentam contra o regime democrático e configuram crime na legislação penal
brasileira.
“As
declarações desses parlamentares não são apenas um atentado à memória dos que
lutaram contra a ditadura, mas também um grave desrespeito à Constituição
Federal, que condena expressamente qualquer forma de apologia ao regime militar
e à tortura”, diz Natasha Ferreira, líder do PT.
Giovani Culau (PCdoB) leu o relato de uma militante política torturada durante o regime militar no Brasil, sob comando do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. “Não houve revolução em 1964, houve um golpe, que matou, torturou e cassou mandatos parlamentares, inclusive nessa cidade”. Também chamou de “nojenta” e “horrorosa” a manifestação do vereador, afirmando que não pode ser concedida anistia aos réus do 8 de janeiro, por conta dos vestígios do regime militar na sociedade.
**Fonte: Sul21