Por Emir Sader*
Chegou o
ano das novas eleições presidenciais, junto com as de governadores e
parlamentares, para a Câmara e o Senado.
Claro que
a eleição presidencial é a que tem consequências maiores para o Brasil. Começa
a guerrilha da manipulação das pesquisas, de que a mídia tradicional se vale
para todo tipo de especulação, o que revela uma clara incomodação com o
favoritismo do Lula e com a falta de um candidato competitivo da direita.
Lula é
candidato forte à reeleição, ao seu quarto mandato. Fernando Haddad sairá do
governo para coordenar a campanha.
Lula está
plenamente preparado para a campanha e para os debates. Tem um discurso
plenamente articulado sobre a situação do Brasil, sobre os seus governos e
sobre as perspectivas futuras para o país.
O
prestígio do Lula se reflete no interesse de uma quantidade enorme de
candidatos, de vários partidos, de que ele os apoie nos seus estados. Não
apenas no Nordeste, mas em vários outros estados do Centro-Sul e do Sul do país
também.
A direita
parece se concentrar agora em um filho do Bolsonaro, o Flávio, indicado por ele
como seu candidato. Não é o favorito dos grandes empresários — da chamada Faria
Lima —, que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Este
cometeu muitos erros, inclusive o de apoiar firmemente Bolsonaro, mesmo depois
da condenação e da prisão deste, com a ideia de herdar seus votos e de
retribuir o apoio que teve de Bolsonaro para chegar a ser governador de São
Paulo.
Mas
confiava que, sendo o preferido dos grandes empresários e contando com boa
posição nas pesquisas, fosse o candidato da oposição. Vacilava, porque poderia,
perdendo as eleições presidenciais, ficar sem o governo de São Paulo e sem
nenhum mandato.
As
pesquisas, confiáveis ou não, manipuladas ou não, revelam que Bolsonaro tem um
poder ainda alto de transferência, de forma que seu filho Flávio está em melhor
situação nas pesquisas, enquanto o apoio do eleitorado a Tarcísio é claramente
menor.
Na
campanha, as falácias de supostas heranças do governo Bolsonaro ficaram
escandalosamente claras. Em um debate, além da capacidade de argumentação de
Lula, os dados dos governos Lula e os do governo Bolsonaro são escandalosamente
desfavoráveis a este.
Além da
questão democrática, em que o filho de Bolsonaro terá de arcar com o ônus do
compromisso, juridicamente comprovado, de seu pai com a tentativa de golpe do
8/1. Não haverá como tentar desvinculá-lo, até porque foi condenado e preso por
esse compromisso.
Em suma,
as condições são muito favoráveis a Lula, tanto nas condições de ponto de
partida, mesmo em pesquisas não confiáveis. Dá para imaginar que a campanha e
os debates o fortaleçam mais ainda.
De alguma
forma, a direita está conformada com a reeleição de Lula. Trata de tentar
manter o controle do Senado e da Câmara, para dificultar, na medida do
possível, um eventual novo mandato de Lula. Mas o próprio Centrão está
enfraquecido. Um setor do Centrão, que tem dificuldades de ficar longe do
governo, se aproxima de Lula.
Essas são
as condições do começo da campanha. Treino é treino, jogo é jogo, é verdade.
Mas, no jogo, Lula é insuperável.
*Fonte:
Revista Fórum (via Blog do Júlio Garcia)
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